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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sofisticação Árabe na Península e nos Algarves


 
Fomos sempre instigados a ver a História de Portugal de Norte para Sul, a nos identificarmos com os cristãos do Norte da Europa, Visigodos e outros bárbaros que, com armas na mão, se transformavam em bárbaros cruzados.
Foram os fundadores de Portugal, é um facto, mas este facto resulta de uma insurreição do filho contra a mãe, atitude de uma cristandade duvidosa, mas afirmação plena de como estes nobres medievais eram brutos.
Os árabes do Sul (e, vá lá, do leste) eram mais evoluídos na agricultura, nas formas de captação das águas, na medicina, navegação, matemática e astronomia, geografia.
E deram a conhecer o fabrico de papel e a pólvora!
E os barbudos proto cristãos nem entendiam esta sofisticação na sua rudeza tribal!
 A História longa revela-nos, aliás, que sempre aprendemos mais com os invasores – e uns séculos mais tarde com os invadidos - do que com a essência genética do lusitano
Primeiro refugiados nas montanhas em tribos, depois vestidos de armaduras vistosas encarregaram-se de conquistar território e enterrar os espojos da guerra entre igrejas e castelos.
Os outros eram mouros, apesar dos diversos períodos de convivência pacífica entre cristãos e mouros e as dificuldades crescentes em separá-los da sua terra ibérica.
Curiosidades históricas revelam que muitos dos mouriscos expulsos do Sul de Espanha foram engrossar as legiões de conquistadores espanhóis na América do Sul.
Depois de conhecer as maravilhas árabes do Sul da Península, começo a suspeitar que todos perderam com o recuo mouro para o além Mediterrâneo: eles e nós, lusitano-moçárabes de ascendência celta!
No cimo das mais modestas muralhas de Silves, capital árabe dos Algarves, contemplamos o longo vale do Arade, serpenteado por uma agricultura resistente e concluímos que a herança árabe não abandonou os arrabaldes da sua capital; e não deixo de pensar que foram as reminiscências árabes que nos transformaram em navegadores.
É uma visão romanesca da História de Portugal, construída de Sul para Norte ou (se quiserem tornear o latente, mas evidente, confronto com a versão europeísta e oficial do nosso passado) a História de um país construído com a influência dos invasores (derrotados, é um facto) vindos de leste. (e assim não esquecemos os engenheiros romanos)
No final de contas todos os invasores acabam, mais tarde ou mais cedo, derrotados.
No outro extremo da Europa, pela mesma altura em que os Árabes eram expulsos da Ibéria, os persas invadiam Constantinopla, capital remediada do evoluído Império Romano, e transformavam as fantásticas igrejas de um pagão império tardiamente convertido a Cristo, em mesquitas
E demoraram séculos a perceber que a cidade já tinha águas canalizadas há séculos!
É histórico o desprezo dos guerreiros pelos empreendedores!

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