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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Bab Doukkala


Bab Doukkala

Hakim abriu muito os olhos para, logo depois, abanar a cabeça com uma expressão de desaprovação contida, como se Bab Doukkala fosse um sinónimo de um bairro de reputação duvidosa
“Rien à voir”, foi tudo a que conseguimos saber sobre Bab Doukkala.
De Hakim, o gerente do Riad.
Do empresário de sucesso, dono de um restaurante que servia álcool, proprietário de um riad, que falava cinco línguas, também norueguês, balanceava os sapatos de vela, sentado no banco alto do balcão do bar
“ Acho que nunca por lá passei “ – alvitrava, sorridente e sem vergonha, enquanto bebia mais um gole de um líquido cor de rosé, que alimentava a ambiguidade da sua natureza perante o irredutível livro sagrado.
De todos os outros, até do Ahmed, o motorista que conhecia a história e tinha opinião sobre o presente que abanou a cabeça em sinal de assentimento baseado numa não assumida ignorância deste tema tão antigo.
“Aqueles unidos na casa de Deus” fundaram Marraquexe em 1070 a partir de tendas berberes, mas destes momentos épicos da civilização berbere, a partir dos quais o Islão se iria assumir como um farol de modernidade de civilização do mundo ocidental, quase nada sobreviveu.
Especialmente as memórias.
Ibn Yasin era um homem alto, curioso, corajoso e de forte personalidade, garantia o historiador, um homem que olhava o deserto, o conquistador, o guerreiro.
E um estudioso do Islão
E o líder da tribo do deserto que criou o primeiro reino berbere de Marrocos, unificado a partir do Sul.
Os Almorávidas construíram, em vinte e seis anos, um império que se estendeu para leste muito para além do Atlas e para Norte até à Península Ibérica.
Um exército, um líder espiritual e o domínio das técnicas de utilização da água foram a base da primeira Jihad da História.
Começaram por dominar as rotas comerciais do Sul e o ouro permitiu-lhes aventurar-se para o desconhecido, as terras férteis e povoadas do Norte da cordilheira do Atlas.
Segurança, impostos e expansão dos territórios, foi a fórmula da expansão
Beleza, harmonia e simplicidade, foi a fórmula da construção da sua capital, Marraquexe, destino do herdeiro do guerreiro do deserto, Tashfin, o organizador e homem que, sem renunciar às raízes do deserto, unificou sob a lei e a fé de um único território, as fronteiras do império, o reinventado Al- Andaluz.
E Bab Doukkala é a porta da simplicidade Almorávida.
A única lembrança que a cidade preserva dos seus fundadores, e do início do período mais promissor do Islão.
Hakim não deixou de nos referir, com alguma veemência mesmo, que a família dele é berbere.
Sem que eu tenha entendido qual o verdadeiro significado desta ascendência, num reino em que não existem minorias étnicas, mas o Rei pertence a uma dinastia árabe, que reclama ser descendente do Profeta.
Mas não sabia que a porta de Doukkala é a ligação da cidade ao deserto e às suas raízes.
Apesar de não ser garantido que as nossas hipotéticas raízes árabes provenham dos berberes, não resisti ao chamamento e mudei as agendas para a atravessar.
Reconheço que havia pouco que ver.

Exceto o imenso significado deste símbolo de uma tribo com visão geoestratégica.

Koubba Bayoudin



terça-feira, 11 de julho de 2017

Santos & Pecadores


O mês de Junho é dilema festivo entre a fé efervescente e uma sucessão de autos de fé pagã.
Passadas umas meras semanas, restam as lembranças das expressões humanas encarnadas em manifestações de arte, sem escrutínio de credos ou de origens.



Noites estreladas em quarto crescente




O auto retrato do homem das noites estreladas




O santo dos homens crescidos




"O contratempo é uma iniciativa que visa o trabalho colaborativo entre as pessoas"




As sombras do expressionismo




O desafio das sombras




O dividido Homem moderno



Uma metáfora da santíssima trindade




A afirmação da mulher de cores fortes




"Em contratempo falamos de retrato e auto retrato que valoriza a auto estima de quem participa" 




O redentor




Uma redoma de santidade




"...construindo uma narrativa em que a diferença é o principal elemento a ser evidenciado..."




Perscrutando os limites da fé




domingo, 9 de julho de 2017

O vinhedo vermelho



Nasceu tarde, viveu demasiado rápido e matou-se ao ritmo das suas pinceladas incertas, nervosas, para quem a vida não passou de uma breve impressão.
Sobressaem as cores vivas de um homem sombrio, desintegrado do seu tempo e do ambiente social que o criou e uma torrente incontrolável de imagens que ele criou, processou e se mostrou incapaz de as conter.
Um homem que viveu trinta anos no desconforto das suas trevas e do desapontamento da família e que, nos restantes dez anos de vida, correu loucamente para o precipício, como se soubesse que a sua insaciável criatividade o iria esgotar sem tempo nem pausa.
Foi um artista autodidata e torrencial que criou um mundo exterior diametralmente oposto à sua angustia interior
E dizem que se matou, louco, tão novo, que o mundo foi incapaz de interiorizar a sua obra, imensa e fulgurante.
O vinhedo vermelho foi a sua única obra vendida em vida.
Talvez uma das obras que menos o presente conhece.
O mundo demora tempo a digerir a genialidade torrencial dos homens, uma visão que o homem Van Gogh demorou a materializar mas que despejou sobre mundo a uma velocidade alucinante.
Não admira, portanto, que uma experiência sensorial de Van Gogh construída com tecnologia do século vinte e um, seja um banho de sensações fortes, num qualquer quente dia de Verão.





domingo, 2 de julho de 2017

Concertos de Verão


Há lugares assim, em que não é necessário entrar para descobrir a sua magia...



Empatia Jazz Duo - 15 de Julho




Manhattan Transfer - 22 de Julho




Buda Power Blues - 10 de Agosto




Jeff Davis Trio - 17 de Agosto