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domingo, 3 de junho de 2018

Felizmente está tudo feito


"A arte não é estética, pelo menos na sua visão clássica, não se aprecia pela beleza, mas pelo gozo intelectual que proporciona a sua interpretação..."
...Ou apenas a constatação de uma espécie de deslumbramento, presente nas novas descobertas.
Antes, a arte representava o que as pessoas viam, a nossa visão contemporânea também representa a realidade, mas não como as pessoas a vêm, antes como a sentem porque a nova visão da estética prende-se com as energias que as obras libertam.
O entusiasmo da curadora é convincente e eu cresço de entusiasmo pela ideia de que a arte não serve para nada e, mais do que isso, para ser arte não pode servir para nada porque é esta inutilidade que lhe confere a intemporalidade.
Enquanto contemplo desinteressadamente (porque, mais do que explicar, o importante é constatar a sua existência) o ícone da exposição "No place like home", afinal de contas é apenas um urinol, ponho em prática os conhecimentos induzidos pela curadora e trato de simplificar, não me ponho a contar histórias e assumo que um quadrado é um quadrado, uma bola é uma bola e um urinol é um urinol.
Com as suas singularidades e ironias.
Tal como a pintura é forma e cor e a politização da arte torna-a efémera porque a condiciona à efemeridade dos movimentos políticos e sociais.
E o "ready made", é a sublimação da vida sem fazer nada, como o próprio Duchamp o reconhecia.
Despudoradamente.
Apenas acrescenta, continua ou aumenta peças já existentes, procurando (apenas por vezes) novos efeitos, novas impressões, singularidades e ironias.
Sem pretender resolver quaisquer problemas práticos ou sociais, apenas pelo gozo intelectual de descobrir os efeitos que elas podem fazer no conjunto.
Basicamente, sem ter de fazer (ou mostrar) obra.
Muito reconfortante para um retiro espiritual de final de tarde de Sábado.





quarta-feira, 4 de abril de 2018

State Affair





Subir à cúpula do Bundestag é um assunto de estado.
Reichtag por Norman Foster é uma marca do modernismo alemão após reunificação.
Nunca o parlamento alemão tinha suportado uma cúpula com tanto vidro.
Nem quando o Kaiser Guilherme I a construiu em vidro e aço.
Nem com a renúncia do Kaiser e a proclamação da República, no final da primeira guerra, época genocida para os grandes impérios da Europa Central.
Nem quando Hitler alegadamente lhe pegou fogo para incriminar os adversários políticos e apoderar-se de dois terços do parlamento, com quarenta e três por cento dos votos.
Nem depois a sua destruição pelo Exército Vermelho, nem quando o decidiram reconstruir após a guerra, nem quando uma multidão de berlinenses se reuniu à volta, no bloqueio de 1948 e o presidente da câmara clamou para que “Vós, povos do mundo, socorram esta cidade”
Nunca o Reichtag tinha suportado uma cúpula com tanto vidro, mesmo quando Christo a cobriu de tela em 1995.
E, porque nada em Berlin, pode ser olhado (sequer) sem as devidas associações e os carregados simbolismos, a nova cúpula de vidro do novo parlamento alemão (o que são afinal dezanove anos na intensa história de Berlim?) é um mundo de possibilidades de interpretações simbólicas.
Símbolo da transparência dos poderes parlamentares, o redondo da agregação de uma nação, uma circunferência que marca (ambiciona) uma nova geometria de centralidade na Alemanha europeia, a libertação da democracia alemã da tutela das grandes potências vencedoras da última grande guerra.


Do alto da cúpula desenhada por um americano, estende-se aos seus pés, a embaixada americana na zona de ninguém, entre muros, apoiada no imperial arco de Brandemburgo, a russa uns metros depois no início Unter den Linden e a inglesa na mais modesta e lateral traseira do luxuoso Adlon.
Todos aos pés do centralismo unificado do Reichtag.
Por todas estas interpretações infundadas e simbolismos possíveis, subir à cúpula do Bundestag (uma forma de retirarmos o peso histórico) é um assunto de Estado.
Pode até ser gratuito, mas tudo tem um preço, exceto a segurança nacional.
Exige prévia marcação gratuita, mas igualmente prévia revelação de identidade para escrutínio da polícia, a oportunidade de descobrir um slot disponível em vida útil compatível, uma grande vontade que nos leve a descobrir uma opção executiva e organizada a vinte e dois euros com um chá incluído e direito a repetir (o chá), ou então…em momento de irrefletido desvario de subir aos céus nas asas do desejo (óbvia associação a Wim Wenders, eu sei)  , e ao preço de uma viagem low-cost até Berlim, a reserva de uma mesa para almoço ou jantar no resplandecente Kaffer, com direito a todas as subidas e descidas à cúpula que o corpo aguentar, tendo em conta que, o arrojo e o modernismo assim o exige, as subidas e as descidas se fazem por rampas diferentes.


Sempre com prévia revelação de identidade, com comprovação documental da mesma nuns barracões pré-fabricados plantados no lamaçal da fachada principal,(que obscurecem a grandeza da mensagem que, sobre as arcadas, nos assegura que ali vive o povo alemão), o acompanhamento muito atento até à porta principal, com portas duplas que se abrem alternadamente e a entrada num elevador apinhado, guardado por um zeloso guardião da subida ao topo, que reserva para ele próprio a única cadeira que sobe e desce dia inteiro, de manhã até à meia-noite.
E, finalmente, a cúpula.
No absoluto centro da nova e da velha cidade (e quarenta e quatro anos de baldio entre as duas referências anteriores) com as pérolas aos nossos pés, a pretensiosa Potsdam Platz, o gigantesco e despido TierGarten, o sólido Arco de Brandemburgo, a reverente Catedral, a espaventosa Torre de Televisão e as centenas de guindastes que parecem pendurar a urbe, muito para além do tempo esperado.
Tudo, símbolos da História e da alucinação que foi, e é, esta cidade.
Do topo, só a coluna da Vitória, empurrada do Reichtag para o fundo da rua 17 de Junho, por um pequeno homem de bigode a quem a estátua importunava a vista, parece dialogar com a nossa visão em plano de igualdade (ou serão os anjos que a sobrevoam?)



Quanto á cozinha do Kaffer é demasiado científica, uma culinária vista como um processo químico com uma fascinação pelo orientalismo gastronómico, de sabores orientais exóticos, empratados em ingredientes alemães.
Falta-me a alquimia do improviso e dos sabores mediterrânicos, e parece-me que este fascínio súbito pelas tendências orientais (da pintura modernista do Hamburger Banhof à culinária do Kaffer ou da comida de rua que empesta o ar das ruas de Mitte) é uma vingança fria e cruel dos derrotados da reunificação porque, até olhando cá de cima, se conclui que o glamour se transferiu quase todo para Oriente.
Em vésperas de uma manhã de neve, repleta de uma neblina romântica e vista cá de cima, Berlim já não sobrevive da história, antes transformou-se na capital do Leste.
(Mais uma associação abusiva e impertinente)



quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Catedrais inacabadas



Houve um tempo em que a Península respirava a diversidade própria das encruzilhadas de grandes civilizações, das placas tectónicas que permitiram a gestação e crescimento dos alicerces da História do Mediterrâneo.  
A diversidade alimentava-se da incerteza, da equivalência de poderes, das origens comuns, das permanências seculares e da grande terra que a todos albergava.
Construíam-se muralhas e aldeamentos fortificados, montavam-se e desmontavam-se acampamentos, como se ninguém tivesse ainda a certeza de quais eram os seus territórios, por inerência
Extremadura teve o seu momento de centralidade na disputa que foi a reconquista cristã.
(Ou na conquista islâmica)
(Ou na colonização romana)
Difícil de entender quem eram os inimigos, se os Almohades se os reinos cristãos vizinhos
Impossível era perceber quem eram os nativos e quem eram os invasores, quais as influências dominantes, o que era absorvido, adaptado ou motivo de guerra.
Afinal de contas a narrativa histórica só encontra buracos negros no período dos Visigodos.
Leão e Castela, e esporadicamente o Condado Portucalense, o poder do Califado e aqueles que nunca foram poder reinante, mas que sempre registam presença como a terceira alternativa nas disputas entre cristãos e os muçulmanos.
Os judeus, claro.
“Afinal de contas eram todos primos” – conclui o historiador castelhano
A Península nunca nesse tempo fora inquestionavelmente cristã, transpirava mestiçagem e comuns sentimentos de pertença.
E de partilha de conhecimento e de experiências diversas, desde Fez até à Extremadura
O XII ainda foi um século de Renascimento nas fronteiras do Mediterrâneo.
Entre o adormecimento das velhas dinastias Berberes e a irreverência dos jovens reinos cristãos  
Com a limpeza étnica e a estabilização dos territórios, a Extremadura passou a viver das memórias
E a exportar insaciáveis conquistadores barbudos que fugiam do marasmo e da monotonia para o indefeso Além-Mar

Do triunfo dos elementos e das purgas dos reis católicos



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Não passa nada!




Visitar os grandes planaltos é um exercício de absorção da substância, uma massa de imensidão que avança na nossa direção e nos reduz a soberba à dimensão da vulnerabilidade humana.
É adormecer sob um manto de estrelas cadentes depois de um carrocel de sombras cavadas nos vales profundos do Tejo Internacional e acordar com os cheiros da terra, descer para a raia, conduzido por fileiras de árvores que nos indicam o caminho e nos impelem a prosseguir, mesmo sabendo que avançamos em direção à nossa insignificância perante os elementos.
A Nordeste de Castelo Branco, abre-se uma nova perspetiva de espaços sobrevoados por bandos de aves que encenam formações ordenadas em direção ao sul, sombras desenhadas no azul que contrasta com a terra castanha e os cumes nevados da Estrela a Ocidente e da Serra das Gatas a Oriente, Extremadura adentro.
Não há, pois, fronteiras nem autoestradas incompletas que quebrem a indolência do ar que se respira, um sopro de vento frio que corre mais devagar a lembrar-nos que o tempo é uma invenção recente e, muitas vezes, redundante.
Indiferentes à nossa passagem, pastam os animais sem vontade de correr nem receio dos ventos gelados de Norte que empurram o frio porque, a Nordeste de Castelo Branco é a terra quem manda, por persistência dos locais ou pelo esquecimento dos conquistadores que, há muitos séculos, daqui debandaram à procura de emoções fortes e de desnecessárias demandas.
Permanece a certeza de que as cidades são apenas meras concessões da natureza ou do mundo rural, confinadas entre os montes que pontuam os recortes do horizonte, como se a imensidão da terra lhe permitisse algumas concessões à espécie humana.
As amplas visões não reduzem as distâncias do espaço físico, mas aproximam os seres que gastam a sua liberdade e a sua ausência de compromissos picando entre dois copos, conversando entre muitos amigos.
- Se queres almoçar, é na Mirabel, muito espaço e sem pressa, o António é o proprietário e o meu nome é Francisco - e despede-se com um aperto de mão cristão e barbudo
É desta forma que a cordialidade humana se despede dos hóspedes do mundo atual.

Afinal de contas não passa nada!


domingo, 28 de janeiro de 2018

Arte sem legendas

(ou a reconstrução apressada de uma história atual – Extratos da Bienal de Cerveira)


Mediterrâneo – Uma homenagem às vitimas da estupidez humana, um título que explica os destroços de madeira, os fragmentos peças que não se conseguem consertar, cuidadosamente expostos à curiosidade mórbida dos espetadores anestesiados, e as cores vivas das roupas retalhadas que denunciam as origens de África





(Sem fotografia disponível, apenas imaginação)





Porto uma outra ideia de cidade quadrados cinzentos, figuras geométricas que servem de moldura às janelas, uma sensação de aperto, de conformismo, de falta de espaço para criar


O guardador de estrelas é um ser incompleto que paira sobre a liberdade, quase estropiado pela ausência de um espaço finito onde se recolher




Um sem título que não se isenta de responsabilidades, a mulher de branco que cose o uniforme militar como se quisesse consertar as asneiras dos homens. O branco alvo e o cinzento guerra




Saída negra de Helena Almeida transporta um turbilhão de desistência, desespero e morte, como se a paixão só o é se for retalhada e fatal, representada pela banda desenhada na melhor tradição do filme negro e da humana atração pelo abismo - Cadáver Exquis (de une grande delicatesse)




Diz olá ao primo parece ser uma forma triunfal de evocar (o que poderia ter sido) a teoria da evolução das espécies, o que não deixa de ser um epílogo possível para o regresso às origens que representam alguns dos laivos da realidade contemporânea.


Apenas alguns… 

domingo, 14 de janeiro de 2018

Empty Spaces



Hoje desfilamos o Verão com um olhar de Inverno. Até somos capazes de ouvir os ruídos das crianças, a voz do vendedor de bolas de Berlim, o apito do banheiro 
Seríamos, mas não escutamos nada, a não ser os passos abafados dos corredores de fundo.
Os atletas da chuva, os agitadores das poças que competem com o mar por uma margem segura.
Nas memórias do Verão há uma espera impaciente, desconsolada, uma ansiedade que até emana um certo brilho, serão suores frios, lágrimas de ferrugem ou talvez  pingos de uma humidade que afugenta os adoradores de calor.



Em tarde de superfície frontal, as memórias da época balnear sofrem com o desgaste dos elementos.
Mais do que irão sofrer com a azáfama dos veraneantes, porque a vida das memórias é uma história circular.





Sofrem mais do que com os gritos estridentes da sofreguidão das horas de Sol, uma cor de pele e ampolas de iodo e vitaminas, porque também as memórias também têm sentimentos.
Abandonadas nos maus momentos pelos que se esquecem que as memórias também sofrem, têm os sentimentos dos átomos metálicos
Solidão em estado cru.



Em tarde de aguas furiosas que vêm do céu, as memórias parecem ter perdido o sal.

Empty spaces 
Empty memories...

domingo, 7 de janeiro de 2018

O fosso da memória



Há momentos em que as memórias longínquas submergem, adormecidas, com uma nitidez que já tínhamos esquecido.
Os figurantes de um passado trancado reaparecem-nos numa ocasião festiva, ou num qualquer cortejo fúnebre e, de repente, despejam-nos um turbilhão de imagens de uma outra vida que um dia vivemos.
E, nesse momento, apenas nesse momento, parece-nos impossível que aqueles seres de quem fantasiamos passados sejamos nós, e eles sejam eles.
E este passado longínquo submerge a coerência da nossa história, construída a partir desse passado, em ondas de euforia que nos leva a tratar as memórias por tu, em respeito às cumplicidades, como se o passado tivesse sido uma linha contínua, mas depois sobram peças, quebra-se a conexão entre estas duas vidas, como um castelo de cartas construído sem fundações, foram mais os anos que passaram do que aqueles em que vivemos um espaço onde só havia futuro.
Quando só havia futuro.
Estes momentos são raros, mas relativizam a nossa perceção de imortalidade.
Mas, na noite do ano novo, fiquei com a sensação que, cada uma das primeiras cinco passas, tinham mais de uma década.
E, quando nos tornamos mortais, temos uma certa tendência para romancear os excessos da nossa imortalidade juvenil
Também é verdade que, nessa noite, bebi muito pouco álcool.

E isso não ajuda


domingo, 24 de dezembro de 2017

Caleidoscópio



Curry é uma marca, uma produção cuidadosamente explorada de cores quentes e ambientes exóticos em que as imagens jorram com uma fúria de realizador de todas as causas.
Um circo que se reacende em cada cidade que o recebe, um palco que se monta e desmonta ao ritmo do grau de entusiasmo das audiências sedentas de lugares distantes e de atmosferas inacessíveis.
Por vezes é dificil romper com a encenação que representa a quase perfeição formal de um mundo inteiro que posa para a camera, desvendando o pudor das culturas distantes, dos dramas que se pressentem em cada negativo e em todas as expressões
Uma exposição de duzentas imagens sem ordem precisa nem cronologia lógica, é de uma quantidade tão profícua que desfaz o purismo da arte de exceção, das obras únicas, da reflexão em torno de um conceito e da intimidade dos espaços vazios.
Nas exposições de Curry, as multidões revêem os episódios de National Geography, uma versão realista dos mundos animados de Disney.
O caleidoscópio de cores quentes parece suspenso pelos ares e cada olhar é uma imersão numa nova história, a história do mundo.
Só é pena que nos mundos de Steve, nada permaneça escondido.
Por vezes o encanto está no que se esconde e menos no que se mostra.

Saímos com a retina inundada de cores e imagens extraordinárias, mas carente de mensagens subliminares 






sábado, 9 de dezembro de 2017

Perspetivas impossíveis




Tal como o século XX, Escher explorou os limites do surrealismo pelas suas próprias mãos, utilizando as mais improváveis técnicas de arte para produzir universos não conciliáveis.
Gravador, matemático e inteletual, parece ter vivido distanciado dos colapsos da velha Europa, construindo, a partir da sua História, da arquitetura e das paisagens, um mundo de perspetivas impossíveis e imagens desconcertantes, uma proto realidade, apenas realizável nas lendas dos nossos passados, como se todas as suas criações tivessem uma origem comum nas fábulas de uma terra mágica, como se Escher fosse o Feiticeiro d’Oz e a sua inspiração tivesse renascido das lavas da erupção de Thera que, quem sabe, terá afundado as utopias da Atlântida e nos privado da memória dos mundos impossíveis.
Passou incólume pelo século XX, porque viveu uma realidade paralela que inspirou os novos movimentos de ressurreição criativa e de vanguardismo inteletual que terão salvo o Continente do pós-Guerra das trevas.
Talvez por ter escolhido viver longe, construiu uma realidade não corrompida , uma mágica essência de quem representa, vezes sem conta e de forma meticulosa, o espaço, por natureza tridimensional, em planos bidimensionais.
As obras de Escher reinventam a Antiguidade, as influências árabes e a Renascença numa sequência que salienta a coerência entre o seu ritmo de descoberta e de transformação dos dos momentos altos da genialidade artistica da nossa História em premonições de futuro de harmonias geométricas.
Mesmo podendo não ser verdade, é o imaginário a duas cores, mais colorido que eu consigo imaginar.
Entre utopias e uma visão.
“Deus não pode existir sem o mal, e desde que se aceite a ideia da existência de Deus, tem de se aceitar também a do mal. É uma questão de equilibrio. Esta dualidade é a minha vida”

É especialmente uma questão de equilíbrio.



sábado, 18 de novembro de 2017

7 / 7 - Viagens na minha Terra



Memórias de um morto precoce
Herb Ritts - Plena Luz
Cascais 01/Out.



Os homens cansaram-se de ser felizes
Bordéus de frente para o rio e de costas para o passado e para as memórias
Vestígios de um revivalismo em carne viva
Porto de Bordéus - Na sombra da base de U-Boats
20/Out.



Podia ser um casal abraçado no espelho de água, mas o importante está no que se esconde...o fotógrafo ambiciona a felicidade
Bordéus 22/Out.





Depois das vindimas e do Verão escaldante
Não há pontes impossíveis
Régua 28/Out.





Nas sombras da última ceia no Mosteiro de Tibães
O homem reflete (sobre) o seu presente
Braga 29/Out.





Flauta encantada
No abstrato, não há limites
Lisboa 01/Nov.



A última valsa
Ela atravessou a luz
Mafra 12/Nov.

domingo, 15 de outubro de 2017

Turbulências



É o nome de uma exposição composta por obras do espólio de arte contemporrânea do (ainda) catalão La Caixa.
E esta informação é muito relevante quando afloramos o tema.
A coleção de arte contemporênea “La Caixa” é muito explícita na forma de olhar e compreender o mundo que nos rodeia.
Comprometida, como a inteligência costuma rotular.
E, aqui sem discussão, com uma linguagem polvilhada de olhares latino-americanos “escavando nas suas profundidades temporais, a fim de distinguir as suas luzes e sombras”.
A exposição é, por isso, um mar de instalações, video e fotografia que se desafiam mutuamente em uma critica social nada subliminar.
Carlos Garaicoa desafia-nos (confronta-nos) com as operações populistas do poder e usa apenas lupas e selos.
Lupas para nos lembrar que a política se faz de mediatismo, da meticulosa exploração de uma infinidade de lugares comuns e meias verdades perigosas que, devidamente compostos e ampliados, se tornam em razões de estado.
Selos para afirmar a sua paixão pela posteridade e pela lembrança, não do que fizeram, mas da forma como se apresentaram.
Afinal de contas, a tradicional subserviência do conteúdo sob a forma.
O primeiro exemplar desta passadeira de vaidades (e único original) é o selo comemorativo dos quarenta anos de Adolf Hitler, devidamente ampliado por uma lupa armada sobre um tripé.
Depois alinham-se as criações do artista, revelando as personalidades de uma atualidade que preenche a informação no século vinte e um.
Não há povo nos selos, apenas culto de personalidade.
Despidas da lupa, todas estas personagens se revelam insignificantes.
Até um pouco repugnantes.
Em nenhuma fase deste percurso pela política contemporânea, perscrutei quaisquer sinais de procura de felicidade humana
Muito visual e educativa.
E o título também.

Foi pena eu e a visita acompanhada, termos sido os únicos visitantes da tarde.


domingo, 1 de outubro de 2017

Um olhar de rua


Na estação tonta, não há, por definição assunto.
Por isso, transformei-me num vagabundo da imagem, um rafeiro que deambula  pela costa à procura de companhia e regressa, esporadicamente, a terra à procura de quem o alimente.
Afinal de contas, rafeiro não tem dono mas tem direito a miar.
E o meu olhar dominante nos últimos trinta dias de olhar de rua é uma sucessão de banhos de mar, turistas felizes, adoradores de Sol e domadores de ondas.
Na minha fase de rafeiro costeiro.
Já mais perto do fim de Setembro regressei a terra à procura de alimento e, antes de miar, encontrei um sapato vermelho e uma caneta dourada.
Suspeito que a época tonta está a terminar!


Happy wave


Foreigners by the sky



Hit by the wind


Skins left behind



Desert ilusions



Ocean's eleven


The girl's red shoe


The golden pen

domingo, 6 de agosto de 2017

Fantasias ocidentais





« A febre orientalista que se espalhou pela Europa no início do século XIX, conduziu a uma representação romântica de Marrocos, arquétipo de um Oriente por vezes fascinante e outras vezes, repousante.
Mas as fantasias ocidentais serviram igualmente a colonização…
No início do século XIX, os ocidentais são dominados pela ambição colonialista. No entanto, do Oriente em geral e de Marrocos em particular, eles não sabiam nada, ou quase nada.
Para eles, Marrocos não era mais do que uma parte do Oriente, sem caraterísticas próprias, descrito como um império hostil e fechado sobre si mesmo. Cientistas e exploradores, mas também artistas e romancistas são chamados a contribuir para levantar o véu do mistério do Oriente.
Estes “orientalistas” lançam-se, de alma e coração, naquilo que acreditavam ser um estudo racional e rigoroso da enigmática sociedade marroquina.
Mas o etnocentrismo é tenaz. Os europeus veem o modo de vida dos marroquinos através do prisma das suas fantasias.
Com o objetivo de criar sensação, os orientalistas apenas descrevem os costumes que consideram mais insólitos e estranhos.”


In folha de sala MACM – Musée d’Art et Culture de Marrakech