Pesquisar neste blogue

terça-feira, 21 de maio de 2013

Água morna no parque dos patos!


 
 
 
Estava uma luz tão fantástica que me tornei papparazi do céu e do mar, da menina e do cão, pretextos em paletes de cores vivas e quentes
Não sem passar no parque dos patos
Há anos que não via os putos a trepar os escorregas, a tombar no chão de cascas de pinheiro
A memória constrói-se de esquecimentos sucessivos e eu via-me a correr atrás dos putos, dos meus putos, a contar os patos do tanque e a divagar sobre a sua árvore geneológica
A memória constrói-se...
Os patos já não são certamente os mesmos...e eu tínha esquecido estes caminhos tão próximos
Os putos tornam-se crescidos e o caminho do parque dos patos desapareceu, de tão perto, de tão rotina
Virei a rua à direita e esqueci a esquerda.
Hoje a memória fez-me lembrar que a nossa compartimentada vida faz-nos esquecer dos momentos e dos lugares de uma velha vizinhança
Os piqueniques no parque dos patos mantinham-se indiferentes a esta melancolia ingrata de quem não volta porque sabe que os putos já não trepam os escorregas assépticos e conformes com a legislação comunitária
 
 

 
 Hoje, nos confins de uma adolescência profunda, reencontrei o caminho do parque dos patos e da praia das águas mornas
Parece que a memória faz renascer o fôlego!
Constrói-nos...

sábado, 18 de maio de 2013

BBJ - Bikes, Boats and Joints

 
Uma nuvem de cheiros assopra a leve, mas persistente, brisa irreverente dos canais.
A erva paira no ar!
É surreal a atmosfera que povoa as ruas de Amsterdão; milhares de loucos da bola numa intermitência que se completa entre o azul e o vermelho, fogem à frente das furiosas e implacáveis bicicletas que aceleram nas ruas vermelhas da cidade e cantam que nem tordos a festa da cerveja e dos vapores que se confundem com os tímidos raios de Sol e se substituem aos fumos de uma poluição que não existe na cidade (quase) sempre automóveis.
 
 

Na rua do distrito vermelho, a cor predominante é o azul e os últimos espécimens transformados - quase kitados - da (dita) mais velha profissão do mundo, levitam nas ruas e deixam as janelas vazias de lençóis de cetim, pavoneando-se na calçada entornada no rio, embrulhando a sua natural multiculturalidade numa carcaça musculada, particularmente brilhante de óleo sintético em que a nudez se confunde com o plástico que cobre as (não) intimas porções de corpo (pele e alma vendida ao diabo)
Esta é a única referência vermelha no diabólico bairro da lanterna rubra e o terreno de jogo é dominado pelos ingleses.
Bravos lusitanos em retirada para a praça Dam, bastião de Viriato no Reino protestante da Holanda.

Descontração e indiferença destes holandeses que circulam frenéticamente nas suas próprias vidas, porque têm a certeza que o amanhã se constroi de um circo desmontado, um cheiro adocicado mais leve e comedido entre portas das suas liberdades privadas e muito exclusivas.
Quarta à tarde em Amsterdão e o circo da bola saíu à rua. 
Mas quando nos recolhemos nos claustros de um refúgio museológico autóctone, longe da superfície ruidosa dos hóspedes tolerados, sobressaem os anfitriões descontraídos e indiferentes, cercados de uma ténue moldura de símbolos de uma cidade sobre rodas e entre canais.
 
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

London Streets


Retratos de uma cidade que sempre se transforma em diferentes bairros, diferentes interpretações da Albion tradicional

http://www.youtube.com/watch?v=T47NdAPPmEw



Afinal de contas, Londres é o fantástico circo do mundo!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Quinta do Pisão - Uma mão cheia de arte da terra

 
 
 
A Quinta do Pisão devolve-nos a natureza em estado puro,aos pés da serra de Sintra.
Enquanto palmilhávamos caminhos de pedras soltas neste refúgio junto à lagoa azul,segurávamos com os olhos a variedade da floresta oceânica, recuperando do silêncio nas pistas de todo o terreno, no vale florido que invadia os muros de pedra e contracenava com o céu azul.
Desesperadamente à procura da arte da terra!
Land Art em Cascais, tem a marca da Quinta do Pisão, sobranceira à serra, debruçada sobre o mar.
Mas metro após metro, a natureza apaga os insipidos vestígios de arte abstracta, que se retorcem nas árvores sem vento, sem sombra nem vontade própria.  
Campo de flores amarelas e roxas, ramos vermelhos que se entrelaçam no sobreiro que tem memória de artista plástico!
 
 
É difícil distinguir a arte da paisagem neste puro sangue de sete quilômetros de extensão !