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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Urbana Arte I , um povo reflectido na parede



 Difusa, solitária, hiper realismo em carne viva é a marca da arte urbana do interior esquecido!
Um grito de aviso e de lembrança que é tão cru que incomoda, tanta raiva incontida expressa nas pedras de granito, nas paredes caiadas, um desfuncionamento absoluto com a herança histórica do local.
É uma visão tão estranha, emergente no nevoeiro serrano, na chuva miudinha do planalto
Não há gente, como pode haver tanta tridimensionalidade exposta, ambiente de guetto urbano na terra fria de uma província profunda?
Introvertido reflexo do povo beirão!



Efémero

É a natureza da construção humana, e da própria humanidade no individual.
Sonho, conceção, construção, esquecimento, declínio e destruição
Morte na dimensão humana!
A teimosia humana parece que desafia o inevitável e esta inconsciência quotidiana conduz a uma noção de eternidade não quantificada, alimentada por uma sucessão infinita (todos os dias reduzida a números, siglas e projeções finitas) de momentos efémeros.
Preservação da espécie, numa lógica (esperançadamente) evolutiva!
Quando assim é, chamamos-lhe perseverança na construção do material e do imaterial, espírito empreendedor ou referências de uma (todas) geração, ou (mais modestamente) de um grupo, seita ou clube de poetas vivos!
É o nosso mistério da vida, o que nos faz correr atrás do tempo que todos sabemos que se esgota, mas que não esmorece com a irreversível ampulheta do tempo
Mas suga (de tempos a tempos) a nossa energia.
Foi hoje,
Hoje, porque me esgotei na construção humana do imaterial sentimento de esperança (sonho, conceção, construção, motivação e envolvimento numa causa comum), acomodei-me ao vazio de domingo à noite saí à procura dos sinais humanos e materiais do efémero.
No baú das minhas recordações recentes.
Numa pasta que estava dispersa entre a eternidade das paisagens da natureza imortal e infinita – tanto quanto nos é possível conceptualizar.

E encontrei, lá longe por aqui!






domingo, 15 de abril de 2012

Arte à borla no CCB

Domingo à tarde , Lisboa e uma multidão abria os horizontes no magnifico CCB, entre os 50 museus mais visitados do mundo

Museu Coleção Berardo (1960 - 2010)


Nikias Skapinakis


BES Photo 2012

Muito especial a Cia. da Foto!





quarta-feira, 11 de abril de 2012

Guimarães 2012 encerrada para obras


Á lupa, procurávamos a cidade europeia da cultura, mas a cidade da cultura parecia adormecida, não havia sinais da exuberância criativa dos novos e velhos mestres,
De mapa na mão, fomos à procura da irreverência criativa e disruptiva mas demorámos a encontrar.
A antiga fábrica da Asa estava encerrada para manutenção, vinte dias depois de inaugurada a exposição
O projetado Centro Urbis ainda estava desfeito em obras, bem como a Plataforma de Artes e Arquitectura

Centro Vila Flor sim, esse estava aberto, visões abstratas de uma Guimarães fotográfica a espaços incompreensível, forasteiros que não se reconhecem das tradições da cidade que se vende como o berço de Portugal, preferiam as ruínas de um passado industrial glorioso, agora abandonado, infeliz falta de competitividade, que mostra as suas cicatrizes no centro da cidade, por entre vidraças estilhaçadas e bidões que ainda exalam os químicos industriais de outras eras.
Por vezes incompreensível, (é fotografia ou arte?) mas definitivamente disruptivo.
Mas em Guimarães o passado industrial ainda não foi invadido por espaços de vanguarda, uma cultura que se apaixona perdidamente e se inspira loucamente nas atmosferas industriais decadentes.


Aqui ainda sobra apenas a decadência.
John Cage, um experimentalista precoce que enlouquecia de riso uma audiência de engravatados em cores sépia, acabou por se expor após o almoço no CAA, nova disrupção absoluta – obviamente um espaço vazio gente, como todos os (outros) poucos abertos na cidade.
Prometiam uma sessão de 204 minutos de cinema, mas apesar do tema ser Beatles, não havia multidões de fãs em histeria, ao longo do percurso da fama.
Mais do que um curto e incompleto programa de sensações diferentes em exposição, ficou a certeza de que a única ligação da cidade ao evento é o símbolo, usado pelo comércio local como se fosse a bandeira de Vitória em dia de jogo, e um pretexto para construir obra!
Porque é que ninguém explicou a alguém, que a cultura tem pouco a ver com obra feita (aliás demasiada dela por acabar) nem asfalto nem cimento mas conteúdos, software (cultural, entenda-se) inquietar uma cidade, incentivar a população autóctone a questionar valores inabaláveis, mas dogmáticos, envolver os espaços públicos numa dinâmica absolutamente irresistível...
Pouco claro?  
É essa a natureza da cultura, são sensações – mesmo que de repulsa
Aquele varandim dourado da praça do Toural é uma peça muito irreverente, mas tinha de ser novamente hardware!
Como a bonita calçada da praça, as árvores espetadas na calçada e um comboio desordenado de bancos de jardim, que pareciam querer comunicar com os transeuntes, mas eles não queriam, nem se sentavam.
Aparentemente o pouco que ousaram (falamos naturalmente da obra, não de cultura intangível) foi renegado pela Guimarães profunda.
Talvez pela troca do verde pelos materiais pesados / e por aí acho que têm alguma razão!
Guimarães é uma cidade património sem mácula, muito interessante e um passeio à História com rigor e charme e (agora também) com alguns sinais de inquestionável modernidade.
Mas no Sábado de Páscoa não foi de todo uma capital (emocionalmente envolvida com a) da cultura.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Alheiras e outras histórias de neve



Vinhais.
Na terra das alheiras legítimas, a nossa busca pelo autêntico (não estamos na terra da autenticidade?) esbarrou com uma chuva que caia as golfadas e batia no vidro com uma dureza quase suspeita, a chuva ameaça transformar-se em flocos de branco.
Curva abaixo, ponte acima, estrada que serpenteia a serra e o parque que hoje, entre o nevoeiro e a chuva, até parecia verde
Será chuva, será gente? Gente não é certamente!
Neva na serra, a metros de altitude!                    
Neva em Vinhais, a Capital das alheiras não industriais.
É neve!
Por acidente, distração ou sabedoria (premonição), subimos a serra a 900 metros o céu desabou de branco junto ao parque biológico...e mais ninguém ligou à biologia do parque
Fechado? Ninguém sabe
Mas essa história das alheiras legítimas tem um problema para os urbanos: São tao genuínas que têm um sabor estranho.
Sensaborão sem nenhum daquele toque de transformação que faz tanta falta ao nosso paladar urbano litoral e do período pós pastorício...
Assim, depois de nos encharcámos com um nevão de qualidade superior...ignorámos todos os bons conselhos dos sábios transmontanos e metemo-nos à estrada para comprar alheiras " industriais"...em Mirandela!

Ainda perguntam o que a alheira tem a ver com a neve?

Espanha é o melhor caminho para Miranda



Do Douro!
Miranda do Douro proclamou a independência…de Trás-os-Montes.
O GPS insistia em que o melhor caminho de Bragança a Miranda era por Espanha, mas eu continuava convencido que Trás-os-Montes era uma realidade apenas nossa, interior mas nossa.
Pois, em Bragança de quinta-feira de Páscoa, o castelo, os museus, o comércio, tudo tinha fechado ao meio-dia, para um profundo luto católico…um calendário que se intercepta com as recomendações do Borda de Água.
Agricultura, calendário das colheitas, religiosidade profunda e a bênção da meteorologia.
E as longas e sinuosas (mas largas e bem asfaltadas) estradas do Nordeste que nos envolviam pelas aldeias fora, no mesmo deserto de seres de toda a província, pareciam querer provar a teoria da unicidade de um povo que vive para além dos montes.
Mas…
Chegado ao enclave mirandês, baluarte com uma língua própria que julgava moribunda, rio profundo à entrada do Reino, percebemos que “ a nossa crise é a crise dos espanhóis”
Não havia silêncio nem paisagens bucólicas, só um mar de espanhóis e lojas abertas, uma cidade que se expandiu para além dos seus limites em ruas de uma modernidade duvidosa, forradas de lençóis e atoalhados, reduzindo a praça da catedral a um papel figurante na grande azáfama mercantil fronteiriça.
E o glorioso passado clerical e de uma nobreza guerreira contra os invasores vizinhos desvanece-se numa memória tão difusa que nem as martirizadas muralhas disfarçam.
Mira (anda) a montra de produtos portugueses debruçada sobre o Douro!
Miranda assume-se como um dos pontos mais orientais de Portugal (o local físico mais europeu, e vira a lógica da interioridade ao avesso)
“Nós somos diferentes de todos os outros!”
Reconheço que com um pouco de pena!
Numa coisa todos eles são transmontanos: sabem que a vida começa neles mesmo e pode terminar em quem os ajuda – mesmo que sejam espanhóis

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Espaços imensos – as vias rápidas do silêncio

Largos corredores de paisagem aberta que se alterna entre o castanho e o verde, em tons que escorrem pelas encostas onduladas do planalto transmontano, quebrado por laivos de escarpas agrestes e inevitavelmente desnudadas, árvores sozinhas no cume de todos os montes sem folhas como se adivinhassem que o inverno vai voltar e terminar o seu trabalho.
Estamos definitivamente em Trás-os-Montes, em plenas vias rápidas do silêncio, que cercam, cruzam e embalam este pedaço de país verdadeiramente diferente (absolutamente igual)
Esta é uma perspetiva externa (a nossa), porque temos a sensação que regressámos a passado que desconhecemos, seria o Portugal profundo se não estivéssemos tão perto da fronteira com Espanha.
Numa perspetiva interna diria que a globalização não resolve os problemas essenciais dos transmontanos “esta chuva é uma bênção” porque as barragens, as inúmeras minas de metais diversos e os complexos agro industriais, nada parece ter resolvido os problemas deste povo, tudo o que produzimos foi para consumo dos outros (mensagem panfletária que nunca sairia da boca de um transmontano)
Até o centro comercial é um insucesso, votado ao ostracismo deprimente de uma moda que não terá pegado, (aquele visual bolorento pressente-se, mal as portas de vidro se abrem, neste decadente santuário do consumo que foi afundado pela depressão, a vitória do cimento sobre o vidro), vencido pelo comércio de rua que expõem a roupa e o calçado na rua, na calçada – verdadeira montra viva por debaixo dos olhos e à mão – perto do cliente, em horários de gente
Deglutido / digerido pela autenticidade transmontana, pode ser que a modernidade aqui venha a ter um sabor autêntico.


Não sei se as pessoas são felizes na autenticidade, mas há toque absolutamente único para lá do Marão, que se afirma na paisagem e nas gentes, que já perceberam que a vida começa neles mesmo e pode terminar em quem os ajuda – mesmo que sejam espanhóis!
Não sei no que pensa a juventude transmontana, pouco visível e exuberante, fico na dúvida se a modernidade, a autenticidade, a tradição, a auto-suficiência e a juventude se compatibilizam num mundo global do século 21
Em Bragança, em Miranda ou Mogadouro, em Vimieiro e Montesinho ou nas dispersas aldeias que se atravessam nas vias rápidas do silêncio, desertas em luto Pascal ou desertificação irreversível (?)
Afinal de contas Bragança é a única capital de distrito que (ainda) não tem autoestrada

domingo, 8 de abril de 2012

Rio de Onor - o silêncio dos sobreviventes


Retorno (como é possível falar em retorno, se eles nunca conheceram algo diferente?) incondicional ao básico da natureza humana tão cru quanto a dureza e a ausência absoluta de conforto
Não há filtros; os cães são feios e ranhosos, os burros são tristes, a bosta dos animais acumula-se nos becos, as casas confundem-se com os abrigos dos animais, umas destruídas, outras com profundas marcas (máculas) do tempo.
O maior desconforto que sentem, somos nós, intrusos que nos comportamos como visitantes de zoo a procura de seres em vias de extinção
E é verdade, mas a vida é deles!
Eles sabem disso...mas não colaboram
"A chuva não vai pegar. Está demasiado frio"
Pouco mais se arranca dos rostos fechados, habituados ao seu próprio silêncio (em que pensam estes seres?) ao eco dos sussurros do vale profundo, as badaladas do sino da capela ao meio dia e os sons compassados da enxada que esventra a terra seca (havia pó no ar, resultado de um Inverno incompleto)
Há algo de profético nesta recusa da chuva "ela não quer nada com Trás-os-Montes"
Silêncio, dureza e violência dos elementos no vale que podia ser encantado, mas não é, porque a sobrevivência diária dos poucos idosos que nunca foram para lado nenhum, tem pouco a ver com o ecológico apelo de retorno do bom selvagem às origens e à natureza!



segunda-feira, 2 de abril de 2012

Puente Vizcaya – Engenhoso século XIX

Á entrada do fervilhante porto de Bilbao, nasceu uma obra magnífica do pragmatismo na era industrial: uma ponte que não é ponte mas funciona como tal sem estorvar o movimento de entrada e saída de navios de grande porte no porto de Bilbao.
1893, uma aliança fértil entre a arquitetura e a engenharia, o primeiro sinal de que Bilbao viria a ser, entre outras coisas, vanguardista.
Esta ponte não foi única, mas foi a única que se ousou reconstruir depois da destruição da guerra, com uma perseverança obviamente digna de um monumento, hoje orgulhosamente Património da UNESCO.
E os habitantes de Portugalete e Gexto continuam a usar o monumento como um objecto utilitário, que liga as margens em um minuto, trezentos e sessenta e cinco dias por ano.
Orgulhosamente anunciado.
“ Se funciona hoje? Claro, senão como poderia regressar a casa? " – o empregado do café de Gexto, um Portugalete absolutamente assumido, tirou todas as dúvidas de que a ponte afinal era ponte.


O ferry (Air?) suspenso ou basculante, atravessa com uma leveza de papagaio de papel, preso pelas costas como um acrobata previdente e todo o movimento pode certamente ser explicado pelos princípios da mecânica.
Nós, de certificado na mão, subimos aos cinquenta metros de uma vista deslumbrante e atravessámos por cima dos imaginários paquetes de luxo que já se sujeitaram à superioridade técnica da ponte, abanámos a nossa adrenalina, quando a roldana do pássaro fazia estremecer a passadeira e rendemo-nos ao vento norte que nos fustigava o rosto e o nosso equilíbrio, que sentíamos permanentemente ameaçado – obviamente apenas medo das alturas.
É uma sensação que supera definitivamente meia dúzia de pintxos (tapas) ao almoço, regadas de duas cañas.
Constam as crónicas que a (longínqua) família real deslumbrava-se como as crianças em voltas de carrossel de uma margem para a outra!
Tão surpreendente quanto a estrutura metálica – de um orgulho chamado ferro, a arte feita com os abundantes recursos da terra, certeza de que a arte é também um reflexo da indústria – são as margens, também elas com um atmosfera fim de século, que não pretendem disfarçar.
Constam as crónicas que emergiram como colónias balneares, e os espíritos dos elegantes veraneantes do século XIX, moldam as fachadas das moradias, do pequeno hotel ao lado da ponte, do varandim branco e dos candeeiros serenos plantados ao longo do passeio fluvial, rio quase mar.
Apesar dos miúdos de piercing no nariz que povoam este espaço, como seres completamente deslocados da atmosfera ainda persistente.
Transbordador, é como lhe chamam e, segundo Norman Foster, ilustre visitante, “é muito mais que as suas componentes funcionais e estéticas. Assim mesmo nos recorda com carinho toda a sociedade progressiva que suporta a cidade, determinada a criar, financiar e edificar uma estrutura tão memorável, para satisfazer as suas necessidades de transporte”.
Ele sabe, e nós acreditamos!


domingo, 1 de abril de 2012

A cidade Guggenheim




E subitamente, o reino do fantástico e do exuberante!
O Sol poente de fim de tarde provoca a incandescência na onda metálica, e a aranha abençoa a ilha imaginária, as esferas prateadas que se afundam nos lagos exteriores e a multidão que se fotografa em redor desta cidade de um modernismo tão soberbo quanto arrojado.
(Não necessariamente pela arte em si mas pelo símbolo que ela representa)
As placas de titânio são (serão?) as escamas de um peixe absolutamente estilizado, que irrompe de dentro do rio como uma baleia (sim, eu sei que não é um peixe!) e se eleva para além das pontes que unem as margens, mas têm uma personalidade de réptil (esguia e escorregadia, lânguida e perigosa), que rivaliza com o monstro metálico do Loch Ness.
E com o pôr-do-Sol, a cobertura do palácio da arte moderna apagou-se suavemente / a obra de arte da arquitetura contemporânea / a obra da arquitetura da arte contemporânea / não suporta luz artificial e indireta nas noites de luar em Bilbao.
Porque é desprestigiante e anula o encanto do despertar matinal /Sol Nascente, agora subitamente iluminado de tons prata chumbo!
Ou será porque na manhã primaveril, em hora de pequeno-almoço tardio, a vista quase aérea do terraço do vanguardista Domine debruça-se sobre o Guggenheim, tão próximo (debruçada que desfoca) dos telhados (o peixe não tem telhados mas sim escamas, talvez ondas) que a perspetiva da cor se dilui num cinzento envergonhado (o peixe quer mergulhar nas águas do rio, mas o vale é tão estreito que não permite que o rio engula esta obra de um outro mundo).
Para quem deambula pelos espaços abertos do interior desta catedral de modernidade, esta é uma estonteante alegoria aos sentidos, porque entramos noutra dimensão (os espaços abertos abrem-nos a mente para além do que julgamos possível) e chegamos, a espaços, a rever-nos com uma nitidez surpreendente na história contemporânea em peças que, noutro contexto, se tornariam opacas, inexpressivas e sem valor documental.
Independentemente da amplitude da nossa compreensão pelo abstrato, o museu é um desfile da história recente, primeiro espanhola e depois europeia, dispersa (sim, o termo é dispersa) pelos espaços gigantescos sobre o qual qualquer um vai pairar – goste-se, entenda-se, ou nem uma coisa nem outra!
A arte espanhola do século vinte é marcada pelo sofrimento e pelas almas rasgadas, feridas expostas em quadros que usam materiais pobres, industriais que se dilaceram, no sentido figurado e no sentido tão real, que juraria que a serapilheira tinha sangue.
São obras que choram as bizarrias egocêntricas da violenta e sangrenta política espanhola num país fechado e paternalista, um passado que começa a ser longínquo mas que permanece no referencial (vivo como se de um aviso se tratasse) consciência colectiva de um povo (ou de um conjunto de povos).
Sim, é possível sentir tudo isto num museu, talvez demasiado influenciado pela exposição de material fotográfico da guerra civil espanhola – a mala mexicana – tão detalhada, tão reportagem, tão Capa, exposta na véspera na única sala cheia de visitantes do museu de Belas Artes.
De espanhóis, daí a certeza de que existe uma consciência colectiva em estado latente, provavelmente sem feridas impossíveis de sarar.
Não, não vi carne viva, senti curiosidade e vontade de manter viva a recordação.
Definitivamente o século XX espanhol (ibérico) foi uma península periférica da (consciência da) Europa em construção
Qual jangada de pedra!
Enquanto isto, os autores europeus lançavam-se (embrenhavam-se) em universos experimentalistas absolutamente provocadores, procurando novas (cósmicas) fronteiras que escandalizariam as gerações contemporâneas e deixam-nos hoje, e ainda, perplexos!





Absolutamente fora de qualquer área de conforto, a cidade Guggenheim é definitivamente a desculpa ideal para visitar Bilbao!