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sábado, 10 de setembro de 2011

De Buda a Peste – uma ciclo via improvisada














Acelerar pela Andrassy abaixo em direcção à Ópera e à Basílica de Stº Estêvão, transporta-nos para o circuito dos grandes monumentos, à velocidade de filme super 8, com a nitidez encardida de um realizador muito amador, porque o trânsito estorva mais do que devia, porque os edifícios monumentais fim de século não se deslocam connosco, à nossa velocidade, recusando mesmo a atravessar o passeio e a mostrar o seu esplendor.
Mas a basílica lá perdeu a timidez com o Sol a despertar das nuvens, o edifício mais fotografado do mundo e logo voltámos à pista à procura da porta principal do Parlamento mais bonito do mundo – expressões panfletárias, entenda-se – mas não encontrámos, tão grande é a Nação húngara – parlamento, primeiro-ministro e presidente, todos juntos no símbolo do máximo poder nacional - e tão largo é o cinto de segurança à volta deste castelo rendilhado (esta não vem nos panfletos, é minha)!
Mais largo que as saias das beldades húngaras que se nos atravessam à frente, e se cruzam connosco na ciclo via,
Margarita, não é um nome de beldade em cima de uma bicicleta rosa, vestida para o baile finalistas, mas a ilha é mais um refúgio para as fontes e igrejas, ginásios e piscinas…os verdadeiros atletas de competição encontram-se aqui.
Buda ergue-se nas colinas frontais à Peste do parlamento, da basílica, da praça dos heróis.
A subida em bicicleta é tão dura quanto o selim da mesma, a vista é suada no monumento aos pescadores – imaginem sem mar, como podem ter um monumento daqueles.
Do planalto sente-se Buda sentado (trocadilho) à porta do hotel Hilton, uma igreja que fecha cedo de mais e as personalidades que chegam, em carros diplomáticos, engalanados de bandeiras, a portuguesa também.
No palácio Real, o folclore dos petiscos e do artesanato local tem cheiro a arraial de Verão e o funicular sobe e desce sem parar, a ponte das correntes é na Budapeste neo moderna a origem e o destino de todas procissões (romarias), as bênçãos do rio Danúbio (para o Ganges de Buda)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A leste tudo de novo










A leste tudo de novo – bem podia ser o título do novo romance de Buarque, depois do inspirado Budapeste que, em filme retratava uma cidade plena de subtilezas, insinuações (nuances é a palavra), tons de amarelo e estátuas.
É portanto uma cidade feminina, por um lado uma capital assumidamente moderna e europeia mas povoada de centenas de recantos obscuros e quase indecifráveis, pátios que se escondem na saudosa decadência dos prédios escuros (herança de uma qualquer educação severa?), uma imensidão de parques e jardins em que estátuas solitárias abrigam seres em meditação, mendigos que dormitam nos bancos de madeira corroída pelo tempo, seres que se perderam no furacão da mudança de ciclo (político, mental, sistema ou uma preciosa palavra, mind set).
Mas a cidade (mulher) moderna renova-se a uma velocidade tão galáctica que as correntes do Danúbio parecem estáticas, presas na ponte das correntes, também ela uma obra do último período de fúria criativa vivida pelos húngaros: a secessão austríaca da segunda metade do século dezanove.
Esta urbe, que sempre se habituou a copiosas destruições, recupera o esplendor da arte nova, mistura-o com marcas de extrema modernidade do novo século (procurando camuflar o século passado das trevas) e veste-se de gala ocidental.
Só teria pena (que) se nada restasse da sensual decadência, mais misteriosa que obscura e que torna Budapeste tão apelativa e distante dos ícones do oeste, agora como há vinte e nove anos atrás

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Bratislava existe














Bratislava também tem uma atmosfera especial – G. está a segredar-me em alta voz que Budapeste é a Paris de Leste e eu respondo E depois? Se é Paris não é original! – e própria, reconheço que menos sofisticada que outros sucessores do Império, mais despovoada de seres (a chuva terá varrido as pessoas?), talvez porque, algures no século dezanove a cidade foi inundada por (imaginem) icebergues que não derreteram quando deviam, no fim de um inverno sobre o Danúbio…
Ou então porque a sua nacionalidade não é muito levada a sério pelos vizinhos (até os húngaros já fizeram dela capital, hoje mal digerida humilhação) … ou então (muito mais verosímil) porque não são mais de quinhentos mil habitantes.
Poucos mas persistentes na vontade de preservar cada pedaço da História, pedra a pedra, numa estóica e poliglota vontade de ser universal.
Daí ser o único país destas bandas que aderiu ao Euro, reminiscências austríacas?
Mas consta que Bratislava não é a Eslováquia, exemplo desta diferença criativa, a jóia de arte nova (igreja azul), comparável às obras de Gaudi.
No país real voltamos nós à periferia, localizada bem no centro da Europa.
Em Budapeste, grande capital imperial de largas avenida e construções monumentais, voltámos a montar a bicicleta: seguem-se imagens de uma fita de cinema em super 8!