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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Dissecando Sigmund Freud



Nychos é um artista de rua.
Famoso, ao que consta, até na América ou nos museus, uma coisa tão estranha quanto a outra.
Nycho é um dissecador e estuda Freud, mais propriamente estripa a mente dos pacientes, mas também aprecia dinossauros e coisas assim.
Dizem os críticos, que converteu a anatomia animal em beleza.
Passeia- se de manhã pela casa do psicanalista ou pelo museu de todos os bichos, desenha muito no seu livro de esboços, almoça no tradicional Landtmann e, pelas tardes fora, lança-se nas paredes sobrantes do canal com um spray e revela-nos as visões de um filho de caçador que desenhava ossos, crânios e músculos e que, mais tarde, iniciou-se na arte de desventrar animais com sprays de tinta
Pelo menos assim parece naquele espécie de documentário e filme descoberta.
Nychos, the weird, pretende sintetizar a ideia da destruição criativa e da desintegração da sociedade.
Uma espécie de Schumpeter da arte urbana.
Desinteressado da componente imaterial da psique humana que, segundo o planeta solitário, pode ser uma forma de descobrir a cidade pelos olhos de Freud.
Ou talvez um génio que representa o intangível através de vísceras em movimento e cores sugestivas
(Sabem, apesar de polémico e morto, o Sigmund será sempre um bom tema, apimentado, complexo)
E vivemos uma época muito temática.






Juro que procurei o Nychos pelas ruas mais esconsas do Naaschmarkt, pelas paredes do DonauKanal, mas só encontrei os seus insípidos e furtivos discípulos borrados nas paredes.
Esta cena da arte urbana precisa de tempo e tradição para que os marginais graffiters aprendam a desenhar e a colorir e se tornem em artistas de arte urbana.
Na Viena de tradição monumental, revivemos os tempos gloriosos das máquinas a vapor (obviamente uma metáfora adaptável ao estado primitivo da arte urbana)
“Todos nascemos graffiters” – lembro-me bem do prodigioso Ben Sloan, em roteiro informal pelos bairros orientais de Londres e “foi com estes riscos experimentais e a fugir da polícia que nos tornámos os artistas da cor, da irreverência e dotados de uma técnica extraordinária”.
Neste entardecer de cores tímidas e céu temperado de cinzento, as margens do canal estavam pejadas de tipos forrados de compridos casacos pretos, boinas de lã ordinária, grandes bolsos e sprays escondidos e as aparições de uma polícia vigilante que não se conforma ainda com o lado sujo e de estética primitiva da imponência arquitetónica dos mestres dos séculos XVIII e XIX.
E do Nychos, the weird, nem sinal.
Alguém nos informou que estava a dissecar a mente de Freud três quilómetros a Sul, nas paredes do canal do Danúbio
E pareceu-me ouvir, lá de cima do sky bar do moderníssimo Sofitel, uma numerosa orquestra a ensaiar os primeiros acordes do Danúbio Azul

(numa versão mais moderna em que a cor predominante é o castanho)


terça-feira, 4 de abril de 2017

Faraó - o insustentável peso do vazio


O faraó era um adolescente apenas, e não ficaria na História, se o seu sarcófago não tivesse sido descoberto.
Impressiona a ideia dos Reis criança, a quem lhes era atribuída a proximidade dos Deuses.
Imaginamos um reino governado por crianças em absoluta paridade com os seus iguais adultos.
O culto do faraó.
Mas Tutancamon não é a história de um homem adolescente, um faraó precoce ou de uma vida breve.
É um culto de preparação para a jornada da vida após a morte para assegurar a sua viagem até junto dos deuses.
Para garantir que a vida não acabaria, que o Sol não deixava de nascer e de se pôr e que os mortais sobreviveriam por influência do faraó nas forças do além.
Mais importante que a própria vida era assim a sua morte.
Um sacrifício necessário
A preparação do corpo e a construção do sarcófago, como de se uma cápsula se tratasse, assegura que a crença dos caminhos para o outro mundo nasce da resistência e do fulgor com que se encara os confins do centro da terra, uma massa finita mas inexpugnável que se confunde na mente humana com o infinito do céu e das estrelas.
Um mundo infantil de dourados e da riqueza das profundezas da terra.
Uma forma pueril de festejar a perenidade da vida.
Afinal, uma forma reconfortante de simplificar o inexplicável, num mundo em que a felicidade não se mede de interrogações.
E é o detalhe do ritual, dos símbolos, das crenças e do ouro que sossegam as multidões.


























segunda-feira, 27 de março de 2017

Dunas de sal


Deslumbramento é o desígnio do homem contemporâneo...


Steps to sacred hill



The four elements



Blowing with the wind



Vanished memories



Shadows in landscape 



Half way to sky