Images of the World

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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Mrs. Merkel, Madeira is not only cement... after all!


É verdade que temos a absurda cultura do cimento no nosso ADN das últimas décadas.
Demasiado pouco software para tanto hardware pesado...com tudo o que isso implica em competitividade engripada e em pieguices (PIADA POLITICA) em escala inversa à dimensão (pequena) do povo!
Mas também não vale a pena escarafunchar (o mais vernáculo politicamente correcto que me lembro)!

Tentando recuperar o orgulho nacional em extinção no Cabo S. Lourenço, Madeira dia 04 de Fevereiro de 2012 às 16 horas / uma pobre foto feita pelo meu nórdico (mas não fotográfico) NOKIA e as dezenas de caminhantes alemães não pareciam incomodados com esta visão esmagadora!

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Svenska - Day 3


Da atmosfera exalava tons de azul entre a neve branca e o manto de noite que invadia a cidade.

Neste entardecer em Uppsala é o branco de filtros azulados que preenche as minhas recordações, agora tardias e distantes, uma cidade que ostenta um imponente castelo, que aponta os seus garbosos e (agora) inúteis canhões de chumbo à vizinha igreja Anglicana - uma divergência de protagonismo por resolver? -  que se afirma universitária nas bicicletas que não desistem de circular ao lusco-fusco, nos envergonhados trilhos de lama castanha.

Um ambiente de lojas de velas que cheiram a jasmim, pairava no ar urbano e afunilava-se no foco dos candeeiros de rua, fazendo-nos recordar as histórias do avô Natal com um sabor adocicado de chocolate quente.

Perfeita a magia de cidade pequena e recortada de neve entre o casario antigo e o preservado moinho de água, uma magia que não se derrete nas luzes discretas e quentes que espreitam por detrás das cuidadas janelas, molduras possíveis de pinturas de autor.

Apeteceu-me rebolar para fora do autocarro, enfiar os pés na neve, captar na minha objectiva de longa angular, os últimos raios desta cidade.

Mas estava agarrado pelo cinto de segurança da gente séria que me circunda, e não saí.

No regresso do precoce lusco fusco das quatro da tarde, experimentava uma sonolência entorpecida pelo choque térmico dentro do autocarro aquecido que rolava sobre a auto-estrada gelada, sem pressas e sem qualquer desconforto…

De repente senti uma louca saudade das nossas exuberantes áreas de serviço que povoam as nossas vias rápidas (quarenta em quarenta quilómetros) para a prosperidade adiada.

Não me lembrei que os espartanos nórdicos há muito decidiram que estes são luxos impensáveis numa sociedade organizada… e de auto-estradas gratuitas!

Mais uma oportunidade perdida para deixar de divagar, lusitano megalómano!

Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

Svenska - Chapter 2


Socialmente até somos capazes de camuflar as diferenças, até porque a reconhecida e antiga solidariedade nórdica por todos os refugiados e oprimidos do mundo, miscigenou o povo e deixou descendentes.

Somos alienígenas com aparência humana perfeitamente integrada nos padrões nórdicos do século vinte e um, predominantemente louro é certo, mas convenientemente salpicado de latinidade e periferias diversas.

Mas no final daquele simpático e amistoso almoço partilhado em equipa, sentimo-nos absolutamente e descontroladamente antípodas: não lhes passou pela cabeça que não bebêssemos apenas água do jarro, que não degustássemos outra coisa que não uma lógica de mini prato em dias de festa…durante precisamente quarenta e cinco minutos (aliás anteriormente definidos como o que obviamente – e naturalmente - iria acontecer), com tudo incluído.

E voltou a não lhes passar pela cabeça que após a refeição vem o café. Mais uma vez de forma absolutamente natural, cordial e, em momentos, calorosa!

Mas também ninguém se lembrou de perguntar (nem os antípodas de pedir) porque esta forma de estar “ faça você mesmo aquilo que não faz sentido que alguém lhe faça” é cultural e endémica, como acreditar de forma verdadeiramente crente que o almoço não é um intervalo, mas apenas uma interrupção meramente fisiológica (aliás como outras).

“No more spare minutes’ MIND”

À noite, no luminoso conforto do aquecimento central, ou na profunda escuridão do frio cortante, as diferenças dissipam-se, desvanecem-se; até eles parecem alienígenas na sua própria terra e o nosso ar de pecado (estado de) em permanência dissolve-se nas gargalhadas do bar, nas minissaias que lhes alongam as pernas na pretensa primaveril noite sueca, no álcool e até (imaginem) no fumo (obviamente controlado e sempre destino às antecâmaras do frio).

Na (ir) racionalidade lusitana diríamos que se trata de um povo bipolar, mas ambos sabemos que se trata de um julgamento injusto, porque são eles que têm razão.

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

A longa noite gelada da Monarquia Nórdica


A longa noite gelada do Norte aparece no topo de todos os índices de felicidade e desenvolvimento social obviamente não por razões meteorológicas, mas que a agreste e bipolar meteorologia não derrete (afinal a escuridão precoce do Inverno Nórdico não provoca a depressão autóctone).

Estocolmo, 8:48 horas da manhã e na espécie de manhã retardada, o Sol esforça-se (em vão) por furar o horizonte gelado, por nascer às nove, mas o parto revela-se obscuro, cinzento pesado, branco de farrapos despejados estranhamente de um céu cor de chumbo… e em vez dos raios solares tombam os flocos de neve

Nesta visita quase furtiva à suposta capital da Nórdica Monarquia da Europa, submergimos num enclave europeu muito particular, de uma sobriedade absolutamente confortável, de um design que emana do aquecimento central dos edifícios, das pequenas que povoam o átrio do Hotel, um cinco estrelas sem serviço de recolha de bagagens, uma referência tão espartana como a filosofia de vida “ sirva-se a você mesmo”

Cheguei ao meu quarto de meia-noite, ainda a descongelar do passeio pela noite profunda à procura das luzes inexistentes no palácio real – luzes para quê? Não havia ninguém, verdadeira essência do espírito prático nórdico, razão pela qual despeitam a crise! – e a luz laranja do candeeiro à janela e a bola branca luminosa do outro lado da cama, uma mesa de cabeceira que não era (mas podia ser) deveriam manter-se acesas, mesmo sem o cartão de acesso ao quarto…

Na excitação lusitana – ou seria fascinação mediterrânica? – pela neve, confundi-me na tecnologia sueca e retirei o cartão de energia que não abria a porta – porque não era pressuposto – e deixei o cartão da porta dentro do quarto, e o recepcionista, tolerante com a ignorância barbárica – e num inglês perfeito – sorriu de forma condescendente e devolveu-me o salvo-conduto para o meu quarto em tons laranja e branco, janela para o pátio interior e um edredão que me afundou nos sonhos desta civilização que leva a sério todas as coisas verdadeiramente importantes do desenvolvimento social, mantendo uma conveniente distância da emoção excessiva e uma inflexibilidade ligeiramente impaciente (petulante?) face ao imprevisto.

Adormeci a pensar como seria este desenvolvimento social com o clima lusitano…e acordei convencido de que se trata de uma equação com variáveis a mais!

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

A laranja (nacional) mecânica - Acto único


A laranja rola no solo de cascalho e enverga uma descarada  postura de desafio altivo perante o baloiço que ela (laranja) provavelmente desiquilibrou.
O baloiço balança ao sabor do humor do mundo em forma de laranja.
Não é uma foto em sentido figurado, mas é divertido procurar uma história que encaixe num acaso, num gesto irreflectido de turista acidental.
Ou será o mundo que perdeu o equilíbrio perante a infantilidade escorregadia de um baloiço que não desobedece à lei de gravidade?
Crianças obedientes!
Podíamos sempre evocar as desigualdades do nosso mundo para justificar a incapacidade do baloiço em permanecer em ponto de equilibrio por mais do que um infimo e não detectável momento...e a laranja que ri!
Ou a perda de equilíbrio do mundo?


O close up esclarece:
Visto de perto, o mundo parece apenas uma laranja solitária sem contexto envolvente de relevo, que caíu duma frondosa laranjeira...será vento, vento não é concerteza, nem chuva nem neve...
Talvez seja culpa da gente, uma indecisão entre a sede e o despeito!
Ou outra História qualquer numa varanda à beira rio que a foto não esclarece mas o narrador insiste em enquadrar.