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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sal magia branca

Se não somos africanos então somos o quê?
O bafo nocturno e tropical denuncia as origens numa hora tão tardia quanto improvável, mas a diáspora revela-se em todas as pausas
Patrício, família do Rui Patrício? – Entre um carimbo no passaporte, uma anuência perante o castrador visto, apenas uma incómoda intromissão na amena cavaqueira com sabor a morna que, de tão nocturna, não vislumbrava a aridez dos espaços.
A noite cobre a previsível planície com um manto de mistério, identidade difusa, podia ser um continente ou uma ilha, não há sinais de África nesta madrugada sonolenta, não fosse o autocarro coçado pelo tempo, os buracos que antecipavam a ausência de asfalto e as mutilações de guerra ostensivamente expostas à chegada ao país da paz.
Também não havia maneira de um iniciado identificar assim pelo cheiro e pelo tacto continente tão imenso e característico.
Pois não?
A noite de Santa Maria é a de um largo de província, mas com uma maturidade que surpreende e os olhares apenas esperam que a música se acenda nos bares deste local, os acenda e nos contagie em cenários bipolares.
Música, sedução, convívio e ousadia!
E a vida rola sem horas certas, numa noção difusa do dia e da noite – apenas o Sol faz pausas – uma impossibilidade dormente de distinguir os locais e os estrangeiros – esqueçam a cor da pele (nem por aí é óbvio) – tal a proximidade de ritmos e estilos, num completo e morno à vontade com o meio que os envolve num ritmo próprio, intemporal mas irreversível
A diferença entre o dia e a noite é a cor, um brilhante desmentido da escuridão assustadora e povoada dos paraísos tropicais – assim cheira e se pressente na escuridão
O equívoco desvanece-se com o amanhecer precoce!
Afinal também o deserto tem cor!