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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

À procura do escritor fantasma


















A praça dos heróis é um lugar de culto: espaços abertos, uma monumentalidade capaz de fazer renascer as almas patriotas do fundo de um poço de opressão estrangeira, um espírito guerreiro que não se dissolve no ar (ouvem-se os cavalos a relinchar e os cascos a rasgar a calçada)
É uma praça de fervor nacionalista, um daqueles locais em que apetece marchar, mesmo que seja necessário inventar causas, provocá-las, desafiá-las.
Escondidos atrás da grande alma húngara, procurámos – entre banhos magiares, castelos encantados, arte contemporânea que emerge das águas do lago – a estátua do escritor fantasma.
Ela estava lá, entre a estátua de George Washington, Olaf Palme, outros húngaros honoríficos, de nomes indecifráveis mas certamente homens de grandes feitos.
Não fosse Budapeste a cidade das estátuas e os parques os seus principais locais de meditação.
Ela estava lá, garantem-nos os entendidos, mas escondeu-se da nossa procura, da nossa vista.
Encapotada, porque representa o fantasma que habita em todos os nós, ter-se-á esquivado porque não queria retirar o protagonismo a quem a procurava.
Típico de escritor fantasma, que vive da notoriedade de terceiros, capaz de transformar uma alma pobre e curvada perante o destino numa personalidade honorária, num herói nacional, capaz de abraçar as causas nobres do mundo moderno!

Por isso vive, de forma esquiva, na sombra da praça dos heróis.