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domingo, 4 de setembro de 2011

Os seres errantes no mundo







R, o brasileiro que deambula pela Europa há onze anos porque Deus assim o decidiu numa noite de campismo selvagem, música alternativa e garota altamente.
Uma loura deslumbrante! E depois foi outra, garota de strip e capa de revista – a mãe do meu filho.
O destino checo, deixou-a pela riqueza material de alguém mais carente e com maior disponibilidade para pagar. O filho, não o vê há três anos, imagine-se porquê.
Encolhe os ombros, pisca os olhos às pequenas das esplanadas, levanta o Karma e o segway e assume-se o imigrante para a vida, não pensa voltar nem tem planos para a vida, percebe-se da sua silhueta serena, vagamente oriental, vestida por uma cabeleira trançada, outrora rebelde.
Madeirense, vende fotografias suas na feira da ladra do Mauer Park, uma tarde absolutamente pouco normal, perto do antigo muro, hoje relvado de todas as quinquilharias, rock pouco sinfónico, uma cidade que brutaliza o Domingo à tarde com saltos em baloiço, piercings pouco anatómicos, uma espécie de esplendor na relva de pendor hippy.
Embutido entre milhares de barracas que vendem um pouco mais do que coisa nenhuma, apresenta-se um português em Berlin, fotógrafo do alternativo e pouco usual – tarefa simples nesta longa, louca e persistente cidade –
Doze anos a vaguear pela Europa, um negócio que vende e que o mantém na cidade como alguém que sempre a ela pertenceu e pertencerá, até ao dia em que outra Babilónia o fascinar, ou que esta cidade extermine todos os locais bizarros.
Encolhe os ombros, não parece ter planos de outra coisa qualquer que não seja mais um não estrangeiro em Berlim sem vontade de retorno à origem que se transformou, nestas almas errantes, em espaço algum
Vidas alternativas que deixaram de ser um fado com juras de regresso eterno, uma mala de cartão e uma posta de bacalhau.
Mas eu sinto um arrepio chamado solidão, raízes que se soltam da terra, nos rigorosos Invernos da Europa Central, uma língua que se embrulha no não dialecto chamado esperanto.
Lamento mas não o posso evitar.