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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Nos desertos de Oswiecim















Polónia acordou-nos à uma da manhã em território checo – que atrevimento – para a dura vida de viajante em classe secundária, numa certeza que anteontem julgava impossível: existe periferia no centro da Europa.
Chegar a Auchwitz de comboio pretende ser uma réplica bem encenada da última viagem dos judeus em direcção ao martírio.
É melhor porque sobrevivemos ao abuso de poder dos revisores polacos – reminiscências? – à completa indiferença dos checos com o nosso destino – esta é uma Europa que ainda não se assumiu como clube e nos faz lembrar que não é um país.
Oswiecm parou no tempo e a madrugada fria, infestada de polacos alcoolizados à espera de um autocarro que os leve e nos deixe em paz com a impossibilidade de comunicarmos, uma província que permanece triste, quem sabe em respeito pelo ainda não compreensível massacre que ali se morreu.
Oswiecim é uma fila interminável de nomes, fotos, números e objectos que relatam, com uma provocadora crueza as atrocidades de uns – sempre os bem identificados alemães – contra outros.
Impressionante, sempre.
Arrepiante e incompreensível, demais!
Graças a um Deus maior regressámos à civilização e à alegria de viver na moderna Cracóvia.
Já sentíamos a falta de um sítio assim e apenas tínhamos saído de Praga havia vinte horas