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sábado, 10 de setembro de 2011

Hotel Nostalgia









São três e meia da tarde no lago Balatón, o mar dos Húngaros e do centro da Europa.
O comboio expresso Budapeste – Zagreb detém-se em Balatonfoldvar, sem aviso prévio.
Uma estância balnear de um mar interior, rodeado de vegetação densa, ambiente fim de século, uma paz exterior que contagia o próprio trem que insiste em parar em todas as estações à volta do lago.
Um local não repetível, numa encruzilhada de caminhos, linhas férias e sem algum (visível) apelo cosmopolita.
Do outro lado da estação, isolado na paisagem por uma cerca branca, tão recortada que escondia a relva verde (de vergonha) vivia o rosa Hotel Nostalgia.
A mesma estação, provavelmente o mesmo hotel e as mesmas lembranças de fim de século: miúdos a chapinhar na água rasa e ligeiramente lodosa de um mar menor, a nossa surpresa perante o gozo supremo das famílias diante deste universo líquido sem ondas, os piqueniques e as esplanadas, as longas extensões verdes e relvadas das praias húngaras…
Diluía-se aquela nossa dicotomia juvenil de campo ou praia, porque aqui tudo era a mesma coisa e aprendemos com os locais que Verão era Balatão.
Foi no Verão de 82 que viemos a banhos a Balatonfoldvar e o meu relógio de pulso deixou de funcionar, como que por impulso ou comoção (sei lá)
Tanto tempo depois tinha regressado a um local irrepetível e estava lá, igual, a erva, a paz celestial de lugar de férias em meia estação de Setembro, os casebres afundados em jardins, relva, bancos de jardim plantados à beira dos caminhos, uma esplanada aqui e ali, um Sol envergonhado que se misturava entre as nuvens e lago…
Absolutamente entre cidades, a mesma nostalgia da praça dos heróis, um memorial muito próprio de estrelas de rock à beira da reforma.