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domingo, 21 de fevereiro de 2016

India News


Hindustan Times, 23 de Janeiro, Edição Agra
Primeira página

“On January 18, Rohith Vemula, a scholar of the Hyderabad Central University, who was a Dalit, a significant detail, hanged himself in a hostel room. In a few days he would have turned 27”


“Tension gripped parts of Jalaun district in Uttar Pradesh after locals found what seemed to be body parts of about 100 cows on Friday, the Hindustan Times newspaper reported quoting police and officials.
Cows, whose slaughter is banned in the state, are an electioneering code word and a rallying cry for both Hindu nationalists and their opponents across India”


 “Indian authorities arrested four young ISIS militants in New Delhi, accused of planning massive attacks on Republic Day (January 26), which commemorates the implementation of the Indian constitution in 1950 and the day in 1930 when the Indian National Congress declared independence from the United Kingdom.
A militia group known as Hindu Swabhiman claims that it has 15,000 fighters ready to combat ISIS, reported the Times of India earlier this month.  
If it does not take on ISIS now, the militia reportedly says it fears the jihadist group will occupy Indian territory by 2020.”

Um suicídio, um massacre e uma ameaça terrorista.
Três notícias, aparentemente desconexas, faziam a capa do Hindustan Times de 23 de Janeiro.
No entanto, o suicida era um estudante universitário Dalit, os intocáveis “sem casta que foram criados a partir da poeira em que Deus pisou”,
As vítimas do massacre eram os animais sagrados, cem animais mortos num país em que, pelo menos, oitenta e três por cento da população os venera.
A ameaça terrorista provém da maior comunidade muçulmana minoritária do mundo.
As três, aparentemente desconexas notícias do dia, falavam de castas e oportunidades, de vacas sagradas, de religião e intolerância

Há sete anos atrás, em Bangalore, explicaram-me que, quando falamos do povo indiano, alguns factos revelam, dimensão, diversidade e tradição; civilização antiga, uma demografia exuberante (palavras minhas) e uma dicotomia religiosa, com origens históricas, de maioria hindu e de uma imensa minoria muçulmana.
Explicaram-me também que vinte e cinco por cento da população é iletrada e mais de quatrocentos milhões de pessoas têm menos de vinte e um anos.
E quando pretendemos entender a força de trabalho indiana (portanto o povo) não nos podemos esquecer que a cultura indiana é fortemente influenciada pelas relações sociais, a natureza das relações com o ambiente que os rodeia e entre eles (ligadas a um sistema de castas), mas igualmente por uma forte convicção do destino, que proporciona às pessoas o conforto com o que têm e com o que não têm, e olham para isto como parte das suas crenças hindus.
Trindade Hindu fala em Criação, Preservação e Destruição e suporta-se na ideia de que tudo na vida é dualismo, e que só existe criação, se houver destruição.
A notícia de Rohith Vemula é uma história de destino, justificado no seu bilhete de despedida com razões interiores “gap between my soul and my body”.
Não fosse o discurso do primeiro-ministro quando, dias depois do sucedido, numa cerimónia de entrega de diplomas na Universidade Ambedkar, lamentou o sucedido e pediu aos estudantes que se lembrassem do exemplo do Dr. Ambedkar que acreditava que as lutas podem ser ultrapassadas com a educação, e que ele ultrapassou muitos obstáculos, e mesmo insultos, mas que teve força para ultrapassar esses obstáculos.
“ Ambedkar não viveu para si próprio. Ele alcançou tudo e, mesmo assim, dedicou a sua vida à nação e aos marginalizados”
É obviamente importante referir que Ambedkar, foi o primeiro Ministro da Justiça da república, o grande defensor dos intocáveis e que terá desafiado os Dolit a abandonar o Hinduísmo que os escravizava e a converter-se ao Budismo.
Diz-se.
Mas Ambedkar morreu em 1956, e atualmente o Budismo está em extinção na India.
As outras notícias não são histórias de destino, são vestígios de uma diversidade explosiva ou de uma História mal resolvida.
De jornal debaixo do braço, nesta manhã de pesada neblina, mantinha todos os meus sentidos alerta; procurava tornar esta equação resolúvel, ouvia a história do príncipe Mughal que pagou milhões por uma pedra falsa, respondendo à rapariga que não, não seria um mau príncipe, porque os milhões que ele estava disposto a pagar iriam comprar os trinta e dois diamantes que via, sempre que ela sorria, e ainda espreitava por cima das muralhas do forte vermelho, na esperança de ser o primeiro a ver o Taj.

Mas o Taj não se descobriu e eu desisti de querer explicar a História e a Natureza dos povos.