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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Espaços imensos – as vias rápidas do silêncio

Largos corredores de paisagem aberta que se alterna entre o castanho e o verde, em tons que escorrem pelas encostas onduladas do planalto transmontano, quebrado por laivos de escarpas agrestes e inevitavelmente desnudadas, árvores sozinhas no cume de todos os montes sem folhas como se adivinhassem que o inverno vai voltar e terminar o seu trabalho.
Estamos definitivamente em Trás-os-Montes, em plenas vias rápidas do silêncio, que cercam, cruzam e embalam este pedaço de país verdadeiramente diferente (absolutamente igual)
Esta é uma perspetiva externa (a nossa), porque temos a sensação que regressámos a passado que desconhecemos, seria o Portugal profundo se não estivéssemos tão perto da fronteira com Espanha.
Numa perspetiva interna diria que a globalização não resolve os problemas essenciais dos transmontanos “esta chuva é uma bênção” porque as barragens, as inúmeras minas de metais diversos e os complexos agro industriais, nada parece ter resolvido os problemas deste povo, tudo o que produzimos foi para consumo dos outros (mensagem panfletária que nunca sairia da boca de um transmontano)
Até o centro comercial é um insucesso, votado ao ostracismo deprimente de uma moda que não terá pegado, (aquele visual bolorento pressente-se, mal as portas de vidro se abrem, neste decadente santuário do consumo que foi afundado pela depressão, a vitória do cimento sobre o vidro), vencido pelo comércio de rua que expõem a roupa e o calçado na rua, na calçada – verdadeira montra viva por debaixo dos olhos e à mão – perto do cliente, em horários de gente
Deglutido / digerido pela autenticidade transmontana, pode ser que a modernidade aqui venha a ter um sabor autêntico.


Não sei se as pessoas são felizes na autenticidade, mas há toque absolutamente único para lá do Marão, que se afirma na paisagem e nas gentes, que já perceberam que a vida começa neles mesmo e pode terminar em quem os ajuda – mesmo que sejam espanhóis!
Não sei no que pensa a juventude transmontana, pouco visível e exuberante, fico na dúvida se a modernidade, a autenticidade, a tradição, a auto-suficiência e a juventude se compatibilizam num mundo global do século 21
Em Bragança, em Miranda ou Mogadouro, em Vimieiro e Montesinho ou nas dispersas aldeias que se atravessam nas vias rápidas do silêncio, desertas em luto Pascal ou desertificação irreversível (?)
Afinal de contas Bragança é a única capital de distrito que (ainda) não tem autoestrada

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