Pesquisar neste blogue

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Walking Distance V (último) - A cidade é uma festa


"Paris é uma uma Festa" é a primeira imagem que me atravessa de uma cidade em festa.
Festa de fascínio, o da juventude do escritor, o da época dos loucos anos vinte, ressuscitados de uma tragédia - e, sem saber, à beira de outra - o da cidade dos velhos castanheiros, das esplanadas, dos cais, das avenidas,
"De bolsos vazios e cabeça povoada de sonhos", em começo de carreira sem saber que glória o iria esperar
Cidade é uma festa é, assumidamente um plágio indecente que, assumidamente, contorna Paris por fora, mas vive-a implícita em todas as imagens
Como a juventude, sonho e incerteza
Por isso o Montijo ou Andaluzia, conforme a tua geração,
Como o fascínio pelas coisas simples e pelas obras-primas dos Homens
Um permanente estado de pós guerra,
Por isso Dubrovnik, moça e rebelde, pronta para invadir o mundo com a genialidade da sua História.
Ou Split, uma pérola do Império, destruída pela sua queda, uma pérola que apareceu fora de tempo.
Por isso Espanha, muitas vezes Espanha, onde a vida na rua é uma alegria contagiante porque a cidade é para se viver!

Tributo a Doisneau


Não é a primeira vez que fotografo uma mulher que se parece com Doisneau em Madrid
O ano passado foi no Retiro, provavelmente a mesma mulher que se misturou com a multidão no Sol.
Como poderia ter sido na ponte das artes, nos anos cinquenta do pós-guerra
Ela está no fim da imagem...porque não quer ser a protagonista, o fotógrafo nunca o é, mas advinha-me o movimento porque se divide entre a paisagem, será que eu sou a sua paisagem?
Sinto-me lisonjeado, mas não tremo, porque ela é o meu alvo.
Só depois de olhar para a foto, me apercebi que havia outras histórias na praça
Havia festa no Sol.

(Março 2015 - Madrid) 

Cinderela


A mulher de branco é a diva que vive no centro da imagem, que brilha ainda mais ao nível do chão de pedra, brilho que lhe realça a postura de fascínio pela obra prima do Homem, a imperial Stradum.
Vestida para a cerimónia que é a contemplação
Enquanto a multidão se acotovela pelos últimos raios de Verão
Mas afinal são quatro os seres em contemplação, revestindo a praça nos seus arcos e percebemos que a festa não é só movimento.
Muito próprio, para uma cidade que renasceu da guerra para o mundo
E que sobreviveu por causa do seu carisma!

(Julho 2014 - Dubrovnik)


Palmas de Ouro


O ar ainda cheirava a humidade. Chovera toda a manhã.
Mas não chovia mais e já havia uns pequenos rasgos de azul no céu.
Pequenos é certo mas foi-se a chuva e logo a promenade se encheu de povo, espanhóis, movida, gente que precisa desesperadamente de ar.
Instantâneo.
Esperei sem pressa que a passagem de mármore agarrasse o movimento, porque tinha a certeza de que eles não se iam embora
Enquadramento natural em forma de triângulo, deixar encher a ampulheta dentro da moldura, o mar como prolongamento da mármore
Ou as colunas a representar o lado tridimensional do quadrado
Seja qual for a perspectiva, enchi o espaço com gente
Espanhóis que respiram da rua!

(Março 2015 - Málaga) 


Parasol


Surpreendente e encenação das coberturas de lona que protegem as ruas da Andaluzia do Sol de Verão
Ou do calor de Outubro
Uma estrutura metálica que é uma passagem para a outra margem da cidade
Onde as famílias não se escondem e trocam histórias por entre chupetas e carrinhos de bebé!

(Outubro 2014 - Sevilha)


Imperatriz


Na porte Norte do Palácio de Diocleciano  a antecâmara foi desimpedida pelos guardas do templo para que passassem as ninfas do Imperador
Demorei o tempo suficiente para garantir que houvesse luz e velocidade suficiente para captar aquelas pernas sem tremer. 
Ao longe, apenas por pudor.
Ia falhando, mas aquela porta, exactamente sobre as suas cabeças serviu para eu as coroar à revelia da guarda real
A preto e branco, vêem da festa certamente!
Croácia no seu melhor

(Julho 2014 - Split)


The Ball Room


A nova Croácia mantém a sua ruralidade dos gostos simples, e os bailes de rua de um certo jeito ultrapassado  revelam-nos a alegria ingénua do folclore tradicional, que não distingue as três gerações no mesmo recinto.
orquestra de clássicos , o empregado fardado, os arcos romanos e o solene e distante leão do Imperador acentuam o contraste.
A nitidez é proporcional à idade, porque a velocidade já não é a mesma.

(Julho 2014 - Split)


São Pedro


O ritmo é da charanga e as festas populares têm os mesmos rostos, as mesmas multidões, as mesmas luzes e as mesmas atracções que no século passado.
A cidade mudou de centro, desertificou-se nas margens do rio
Mas nos dias de festa a rua dos pescadores ressuscitou e juro que me cruzei com as mesmas caras e com os mesmos percursos 
Parece que o tempo não passou pela tradição
Efémero mas impressionante a fiabilidade da festa dos touros e da sardinha assada.

(Junho 2014 - Montijo)