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domingo, 26 de abril de 2015

The city of broken roots - no return



Frank espreguiça-se à porta do quarto, enroscando-se logo depois na ombreira, como um gato vadio em estado de repouso, concedido por uma noite de folga nas batalhas em caixotes do lixo, nas corridas entre beirais e janelas, enfim, tudo a que um animal de recorte fino lhe é concedido, sempre que a pátria não olha por ele.
“ A cidade mudou muito nos últimos dez anos” – a mãe pátria ainda o vê como o seu menino, mas este jovem tardio, parece não ter encontrado o seu espaço gémeo.
De rosto esguio, olhar inquieto, interroga um horizonte que obviamente não é possível decifrar, naquele corredor estreito do apartamento partilhado, “muito diferente de quando cá vivi dois anos”
Alguns sorrisos depois, recolhe-se no seu reduzido espaço de conforto, sem conta bancária, nem número fiscal, um africano branco que não resistiu provavelmente às memórias de uma outra vivência, a idade também conta e ter vinte não é o mesmo de ter trinta e ele parece não ter resistido à procura de um passado congelado, que se derreteu em cascata e correu para o mar.
Sem mais detalhes. Os seres com raízes arrancadas não são expansivos, procuram ocultar as suas pegadas, como os predadores se querem furtivos e as presas de passo leve.
E as cidades apressadas também não retêm o detalhe das histórias.
Frank partia em breve para o continente, à procura de um presente sem memórias, conformado com a certeza de que regressar a casa não era opção. O único detalhe!
Profissão indefinida e horários incertos.

Não o voltei a ver e ainda hoje me pergunto se realmente tinha algum destino para ir!