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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O bando dos quatro - Parte 3

Pela estrada real fora, evitando os ruídos e de lanternas apagadas, as bicicletas dos quatro ao anoitecer, ainda com uma pontas de céu avermelhado, sentiam-se os justiceiros do faroeste e depressa se acercaram do local de combate.
Lá em baixo no charco, a família de sapos, chapinhava tranquila no lodo húmido do vale, confiantes que depois do pôr-do-sol não haveriam visitantes indesejados que interferissem entre as suas compridas línguas e os milhares de mosquitos que pululavam por todo o lado.
Com um toque no braço do Einstein, Moshe apontava para o rei sapo, que se pavoneava na pequena poça de água que sobrevivia ao Verão. “Vocês distraem-no e a gente apanha o júnior, o gramofone, é para ele que vocês apontam a lanterna”
E o ataque foi relâmpago. Na desorientação das luzes apontadas nos múltiplos olhos dos batráquios, cercados pelas sombras do terror juvenil, o Passarola jurava no rescaldo que eles chocavam uns com os outros, pareciam baratas tontas, e o juiz, o dono do camaroeiro atacou o sapito, tão atarantado que tinha fugido diretamente para dentro da rede.
“Já está” – gritou triunfante – Podemos zarpar
O ambiente no charco após ataque devia ser dantesco, apesar de ninguém lá ter ficado para contar, mas também não era preciso, porque a excitação e adrenalina levava cada membro do bando dos quatro a exacerbar a bravura do feito – afinal de contas tinham sido quatro humanos contra seis sapos – e rezam as crónicas que o Moshe terá revelado, no posto de comando, situado no quintal do Passarola, qua as colunas de fogo subiam mais alto que os montes Golan.
“Não seria antes a poeira das nossas bicicletas?” – O Juiz decidiu estragar a satisfação do Moshe, aliás desnecessariamente, porque todos eles sabiam que não havia bombas – nem de mau cheiro – no arsenal do bando dos quatro, mas uma boa história deve conter ingredientes especiais.
O Einstein era o único que se preocupava apenas com os aspetos práticos associados a este rapto. Enquanto prendia as pernas ao sapo com uma linha quase invisível, “Não estragues o bicho” – resmungava o Passarola – “Senão não tem piada!”, o batráquio olhava para ele de olhos bem esbugalhados, sem piar nem se mexer, “Está vivo?” – perguntava o Moshe, “Sim, bem vivo, e o que fazemos com ele amanhã?”
Olharam uns para os outros “Não o podem deixar por aqui à solta no quintal, a tarde toda”
O pobre sapo não entendia de todo o que se passava, Enjaulado numa gaiola de pássaro, com um prato cheio de mosquitos mortos à sua frente, encharcado até às entranhas de um duche de mangueira que deixara este quintal cercado de muros brancos como uma gigantesca poça de água – na dimensão do sapo, bem entendido – abandonado e longe da sua família anfíbia, cercado de caracóis e de ervas daninhas, o batráquio sentiu-se verdadeiramente infeliz. Só as estrelas eram iguais