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domingo, 29 de julho de 2012

Roma em três atos - Ato I - O triunfo dos feios, porcos e maus / A decadência do Império


Esmagados pelas pedras e pelo calor.
O calor absurdo evapora as poeiras milenares que povoam as ruínas e faz desvanecer o azul do céu e, apesar das multidões fumegantes e famintas de triunfos e vestígios dos Imperadores, dos guerreiros, dos gladiadores, o cortejo triunfal deu lugar ao caminho das pedras no Fórum Imperial e nas antecâmaras deste estádio da antiguidade.
O esqueleto do Coliseu clama por justiça (sim, dois mil anos de pé, apesar dos saques bárbaros e dos aproveitamentos católicos) porque a barbárie e a violência não diminuem a virtualidade da engenharia romana.


Apesar do elevado teor sanguinário deste local – a areia absorvia o sangue na arena – consta que não se mataram cristãos por aqui (afinal já havia mitos urbanos na Antiguidade).
Mas as setenta e cinco mil almas que aqui se sentavam, desfrutavam de atividades lúdicas de teor selvático elevado, devidamente ratificadas por todos os poderes imperiais.
Alienação das massas?
Quando já não havia gladiadores ou escravos e o Império já tomara o veneno que liquidaria de vez a cidade, os restos de poder organizavam combates entre animais selvagens, tendo conduzido à quase extinção de algumas espécies – é o que se diz!
Manter as massas entretidas com sangue, mesmo que as novas crenças dispensem o sacrifício humano!
As reproduções virtuais da cidade imperial revelam um estádio avassalador
Encostamos os ouvidos aos arcos, aos templos e ao fórum procurando escutar murmúrios (que sejam) de triunfos e glórias, de uma cidade vibrante de um milhão de almas que conheciam os segredos da água, mas só ouvimos cigarras e uma lengalenga de contadores de histórias a multidões ofegantes e crédulas, mas com uma grande dificuldade em compreender o todo!
Uma forma diferente de sentir a fábula!
Perguntamos à nossa alma dual (a inteligência racional) como se deu a ascensão e a queda do império mais óbvio do mundo.
Cento e cinquenta anos, foi o tempo suficiente para transformar o reino do céu na terra, num campo de pasto para vacas e menos de vinte mil almas residentes.
590 D.C.,
A superioridade rendida às trevas e à barbárie dos básicos do Norte.
Nem sempre triunfam os mais fortes
A única resposta da alma dual que refrescava as interrogações sem pudor numa fonte de água gelada, assombrada pelo Templo de Rómulo.

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