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domingo, 7 de fevereiro de 2010

A caminho do Estreito de Magalhães – a rota dos puros



0º Centígrados no fiorde.
Chove que desunha, os blocos de gelo (icebergs) atravessam-se à frente do Zodíaco, cataratas explodem água gelada pelas escarpas do fiorde abaixo, uns pássaros Cormorans equilibram-se na ponta dos rochedos, e vivem, procriam e defendem-se dos depredadores.
Pudera! Tanto frio e tanta inacessibilidade!
Que estes pássaros não morram da cura!
Um glaciar que ninguém tem a certeza se avança se recua.

O Zodíaco fura mesmo os icebergs que são trespassados pelo casco vencedor.
- A versão chilena do Titanic! – Risos largos do chileno explorador dos glaciares e dos mares e nervosos de todos os outros
Foi um êxtase de água nos seus múltiplos estados e origens.
O frio era intenso e molhado, mas os seres inebriados pelos vapores do glaciar cheiravam as quedas de água (e molhavam-se), sentiam as nuvens de água gelada a entrar pelas narinas, e gostavam, absorviam todo o branco que havia no glaciar…e ficava o azul das profundezas.
Água vida!
A adrenalina da água – quanto mais molha…

O vinho quente e amargo no regresso ao conforto não aniquilou a adrenalina no estado líquido.
Fim de tarde em frente a um glaciar, no final do fiorde, nós, o Via Australis e o gelo
Rifaram a bandeira do navio: Saiu a um brasileiro de Magalhães
Sentimos o Estreito de Magalhães a chegar: 11 da noite e o mar acordou!
Ilha Magdalena: Estreito de Magalhães, manhã do ultimo dia!

Pinguins: cheiro de mar impregnado na pele, animais que cantam que nem burros, uma visão de multidão alucinante bicos espetados, garanhões e outros mais atrevidos
Rufias que bicam nas pernas de um passante, um tráfego de pinguins para cima e para baixo atravessam o sendero sem olhar, aos grupos todos juntinhos, com um andar de pinguim (pareciam mesmo pinguins)
Entram na água, lavam-se, sujam-se e entram na água.

Aos pares, aos grupos, sozinhos, todos juntos numa agitação sem limites.
120.000 pinguins numa só ilha!
Uma verdadeira comunidade de buracos (ninhos) que pareciam apartamentos de um sobrelotado bairro suburbano com as sopeiras a atirar o lixo pela janela abaixo.

Estes animais não são certos! Animal que não foge do Homem não acerta com todos os parafusos.

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