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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

You say you want a revolution?



O revivalismo apoderou-se do ocidente vinte e um.
1966 – 1971 é apenas uma metade de década em que o mundo ocidental estremeceu com crescimento da geração do após guerra.
Discutível se foi o momento de afirmação da geração X, um conceito com temporalidade tão vaga e tão ampla que derrete qualquer esperança de consenso.
O mui distinto e respeitável VA (Victoria & Albert Museum) converteu-se – de forma quase obscena, aliás - à fúria digital, como uma única via de relembrar momentos de uma História intensa e, reconhecemos, pulverizada por acontecimentos marcantes.
Os tempos de hoje idolatram o espetáculo e, com o recurso a tecnologias não disponíveis na década de “todas as revoluções”, apoderou-se de uma geração incerta,
(que, envelhecida percorria fascinada os corredores do museu, de auscultadores presos à cabeça)
E transformou este pedaço de história num gigantesco videowall de eventos bizarros, tão improváveis quanto Mick Jagger participar em filmes publicitários de frigoríficos com o livro vermelho na sua mão esquerda.
(o desembarque de Neil Amstrong na lua e a entrevista de Lennon e Yoko na cama do seu apartamento em Nova Iorque)
(Os The Who em Woodstock e os caderninhos vermelhos da revolução cultural chinesa)
(As manifestações de Maio de 68 e a nova – e colorida – publicidade aos novos bens de eletrónica de consumo)
(As mini saias e as roupas garridas e os direitos das minorias e das mulheres)
Provavelmente não há visões coerentes em momentos de revolução que se alimentam de contradições e de equívocos
(Sem juízos de valor)
Afinal de contas é a sua principal impressão digital.
Mas fazer destas contradições um espetáculo de puro exibicionismo pictórico servido numa dúzia de salas labirínticas, é uma vingança pobre do omnipresente VA à estruturada revolução da irreverente Saatchi Galery em Exibicionismo
Não admira pois, que as novas gerações tendam a desprezar – por falta absoluta de esclarecimento – o conteúdo em desfavor da forma.
O que me deixa muito inquieto.
Num pequenino canto de uma qualquer das salas intermédias, a única mensagem consequente e com um interessante valor histórico.
Uma afirmação de Steve Jobs (aliás, fora do contexto da época, gaffe imperdoável) que lembra que foi nos finais de sessenta que foram criadas as condições filosóficas que permitiram, através da progressiva descentralização das formas de comunicação, o advento das novas tecnologias que conduziriam à democratização da comunicação através da internet.
Imbuído deste espírito democrático, larguei as bolorentas salas do museu e saltei para a rua à procura de explicações do impacto dos anos sessenta na vida e na cultura do século vinte e um
Sem preocupações de distinguir os sinais da influência das tendências revivalistas.

Afinal de contas nem tudo o que é passado é mau, nem tudo o que é futuro será bom

North Bank - Thames River


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Brick Lane


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