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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Para lá do rio, só há espanhóis



Sete quilómetros e meio separam Noudar da civilização do alcatrão.
Um castelo que já foi porta estandartes da mais antiga das fronteiras da Europa.
Debruçado sobre o rio e sobre os espanhóis.
Despovoou-se há trezentos anos, até ao abandono.
Extinção voluntária.
Suicídio controlado.
Não havia mais espanhóis para combater e tornou-se num enclave sem identidade suficiente.
Demasiado dentro da imensidão de Castela, demasiado fora do retângulo com o qual nos habituámos a associar a Lusitânia, demasiado longe das rotas que transportam o Norte para a fronteira Sul do Império.



Sete quilómetros e meio de picada, oliveiras, sobreiros e gado indolente.
Uma paisagem em pousio, uma poesia a verde e castanho.
Uma escuridão que cerca o lugar, coberta de um manto de estrelas que se deslumbram com este lugar nenhum.
“ A chave do castelo? Emprestámos ao jardineiro e ainda não o conseguimos encontrar”
Daí a importância da placa artesanal que aponta a entrada.
Silêncio, poeira e calor.

Para lá do rio, afinal já nem há espanhóis.