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sábado, 26 de julho de 2014

Na rota de Montenegro - Kotor


Mas em Montenegro, vive e respira Kotor.
Uma preciosidade com mais de mil anos, origem bizantina e cercada de uma muralha que demorou novecentos anos a ser construída.
Entende-se a demora, olhando as montanhas a pique, e não se estranha pois porque é que, ao contrário da vizinha Ragusa, tenham deixado entrar Venezianos, Austro-Húngaros e Franceses, ao longo de nove séculos de História.
Mas Maja, que gosta sempre de recordar o que de bom os invasores trouxeram à cidade – o seu espírito positivo reflecte juventude e proporciona-lhe mais histórias para contar – relembra, espetando o seu indicador direito no ar, em direcção à torre direita da catedral, que ficaram à porta os dois piores: otomanos e piratas.
E nós não perguntámos porquê.
Entre os inúmeros avanços e recuos de todas as civilizações com aspirações guerreiras e territoriais, foi-nos afirmando as suas preferências.
Em trezentos anos de ocupação, os Venezianos substituíram todos os símbolos ortodoxos das igrejas de Kotor, por artefactos cristãos enquanto Napoleão lhes deixou o relógio da Igreja e um palácio junto à porta Sul, hoje (ou ontem, já não me lembro) transformado em casino.
Maja, ao contrário do que consta ter sido a reacção da maior parte dos sérvios e croatas, foi seduzida pelos ideais da Revolução Francesa, e pela possibilidade de ser tratada como cidadã.
Não estranha pois que tenha demonstrado uma quase imperceptível irritação eslava, quando confrontada com a religião predominante respondeu que “somos católicos, porque fomos tão invadidos que nos fomos esquecendo das nossas origens ortodoxas”
Mas surpreendente foi mesmo, quando estávamos a apreciar o estilo do padre ortodoxo, à porta da igreja mais pequena da cidade – são casados, avisou Maja, porque só os nomeamos padres, depois de sabermos que são bons pais de família e a O. esmoreceu de entusiamo – a revelação do Herói de Maja, a nossa jovem amiga de Montenegro.
Apontando para um qualquer lugar, que eu rapidamente esqueci, afirmou com uma comoção espontânea e um súbito brilho no olhar:

- Aqui instalou-se o Marechal Tito, o querido pai da nossa nação!