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domingo, 20 de julho de 2014

Frankfurt Pride




Ainda não é meio-dia e o calor já nos assa as entranhas
Nas redondezas da Hauptbanhof não vislumbramos coerência de transeuntes
Procurava um contraponto para o orgulho da finança alemã e encontrei logo nas bermas e nas fachadas dos restaurantes de nacionalidade indefinida, os primeiros desoladores seres sem naturalidade precisa, arrastados para o torpor pelas sopas de cavalo cansado
(a globalização tem destas coisas, embrulha o prato de salsichas em celofane de origem chinesa)
Outros assavam pedaços de carne na pedra, libertando uns fumos de cheiro a churrasco, em cima das mesas, ao longo da rua que nos aproximava do centro da cidade.
E àquela hora, que ainda nem meio-dia era, o torpor era de miragem, tal era a lentidão de todos os nós que nos arrastávamos pela praça Willy Brandt, reflectidos nas fachadas de vidro do Banco Central Europeu, em dia de descanso, não havia fatos elegantes a atravessar as ruas.
O orgulho de Frankfurt estava neutralizado pelo Sábado, pelo Verão e pelo calor.
Tudo sem adjectivos, porque até os meus pés pareciam miragem, tudo em câmara lenta.
Até que o centro da cidade nos submergiu com uma LGBT Pride Parade
Primeiro tudo muito sério, harmonia entre público e manifestantes…e beijos lançados dos carros alegóricos, trânsito cortado, patrocinadores respeitáveis, cordão policial e carros de limpeza a terminar a festa, exactamente no momento em que ela acabou



O público, ou partilhava convicções – eram de fato muitos – ou comia salsichas nas esplanadas da cidade, absoluta tolerância que não difere aliás muito da indiferença
Tudo parecia correr bem, de acordo com os sinais do tempo quando o folclore se instalou na praça e um monte de rainhas dragão confundiram as mensagens de direito ao amor polivalente com um balde entornado  de mau gosto e animais histéricos em esotérica compulsiva.
Para além de um mini coelho morto que para as manter intactas lançou o pânico nas hostes, abandonado num beco sem que o culpado fosse julgado

As minhas memórias de F. são fortes e, por isso mesmo, basta-me uma imagem da estação ferroviária para as preservar!