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domingo, 9 de julho de 2017

O vinhedo vermelho



Nasceu tarde, viveu demasiado rápido e matou-se ao ritmo das suas pinceladas incertas, nervosas, para quem a vida não passou de uma breve impressão.
Sobressaem as cores vivas de um homem sombrio, desintegrado do seu tempo e do ambiente social que o criou e uma torrente incontrolável de imagens que ele criou, processou e se mostrou incapaz de as conter.
Um homem que viveu trinta anos no desconforto das suas trevas e do desapontamento da família e que, nos restantes dez anos de vida, correu loucamente para o precipício, como se soubesse que a sua insaciável criatividade o iria esgotar sem tempo nem pausa.
Foi um artista autodidata e torrencial que criou um mundo exterior diametralmente oposto à sua angustia interior
E dizem que se matou, louco, tão novo, que o mundo foi incapaz de interiorizar a sua obra, imensa e fulgurante.
O vinhedo vermelho foi a sua única obra vendida em vida.
Talvez uma das obras que menos o presente conhece.
O mundo demora tempo a digerir a genialidade torrencial dos homens, uma visão que o homem Van Gogh demorou a materializar mas que despejou sobre mundo a uma velocidade alucinante.
Não admira, portanto, que uma experiência sensorial de Van Gogh construída com tecnologia do século vinte e um, seja um banho de sensações fortes, num qualquer quente dia de Verão.