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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

As sombras de Agosto


As cidades vivem das suas sombras
Especialmente em Agosto.
Ou sempre.
As sombras de Verão não são sombrias.
São protetoras
Dos DJ que vivem na praça, das multidões que varrem os passeios, rua abaixo, dos mercados de rua, das lojas de gelados e dos cafés que convidam a uma lânguida inação.
Das raças, dos sexos, da igualdade dos géneros e da nossa obrigatória opinião sobre a liberdade religiosa e os conflitos de civilizações
Diluem as identidades, mesclam os autóctones e os forasteiros.
Nas sombras ninguém os distingue apenas pelo sotaque e tornam as cidades mais iguais.
As penumbras libertam, os que nelas vagabundeiam, e tornam as cidades mais igualitárias.
Sem que nós nos sintamos constrangidos por não ter opinião, por esperar que alguns problemas se resolvam por si.
Isso mesmo, um refúgio para a ausência de opinião
Por isso nos afastamos dos reflexos da luz quente de Agosto.
Preferimos a irreverência e a inconveniência.
A descrição ou a tontice compulsiva.
E as duas ao mesmo tempo.

Que o Sol, quando se levanta, nasça só para iluminar o que nos rodeia.