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sábado, 26 de março de 2016

Texturas



A mulher jurava que o companheiro já há muito a queria ver de criança ao colo e desculpava-se perante os presentes de que não era um golpe
(e ninguém, entre a multidão distraída, lhe tinha perguntado algo)
Um homem praguejava impaciente por um pacote de tabaco que tardava
(e toda a gente o estava a ouvir e pensava, porque carga de água ele praguejava, mesmo tendo saltado por cima da fila)
A jovem elegante , circundava o seu utilitário, desconfiada que alguém retirara o ar de sustentação dos pneus e mordia o ar que a rodeava, com um olhar violento que aturdia os transeuntes.
( e eu que até a espiava de soslaio, desmontei-me do passeio e saltei ao largo)
O puto não se desmontou a tempo e despenhava-se do skate pelo túnel abaixo enquanto procurava impressionar a audiência
( e, felizmente para ele, só ela estava atenta e, por amor ou temor, não sorriu, sequer)
Nada disto alterou o curso da ultima meia hora da História.
Mas são detalhes relevantes da nossa existência, enquanto indivíduos, e há dias em que apetece alastrar os sentidos até patamares próximos da loucura. 
(entendida a loucura como a incapacidade de selecionar a absorção de estímulos exteriores)
Até sentirmos as texturas da vida quotidiana.
Preferencialmente coloridas por mensagens.
( que eu gostaria que fossem subliminares)