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sábado, 7 de novembro de 2015

Sensibilidade e uma vida interessante


Quando em 1667, Pedro o Grande, no alto dos seus quase dois metros viajou pela Europa, ávido de conhecimento, experimentou e rendeu-se à cerveja inglesa.
Nas décadas seguintes, os mestres cervejeiros aperfeiçoaram um tipo de cerveja com mais álcool, capaz de responder ao gosto russo pelas bebidas fortes.
Nasceu um novo estilo de cerveja, para deleite da aristocracia russa.
Mais à noite, o galerista explicava o sucesso de Martin Parr, pela sua vida interessante, pela sua cultura e especialmente pelo gosto, pela naturalidade e pela reverência com que fotografava as multidões, sem os ridicularizar, enchendo de humor as suas (deles) vidas humildes, rindo das suas (Martin) próprias memórias, com as quais se identificava e recordava com especial carinho.
Esta é, para o galerista, a natureza dos grandes mestres.
Um sensato conselho do galerista para os novos autores: bebam uns copos, leiam uns livros e vão ao cinema.
Basicamente, tornem-se mais interessantes.
Preocupado pela monotonia do quotidiano que nos consome, decidi acabar a noite no mercado de Campo de Ourique imaginando, tal como Pedro (o Grande) que, depois de umas cervejas, só com mais umas viagens à Europa, me poderia tornar um verdadeiro artista.
Mas este meu fascínio pela anunciada Europa decadente e perversa, retira-me elevadas probabilidades de reconhecimento em vida.

Afinal de contas, arte é, antes de mais, inconformismo...seja isso lá o que for.
Depois de dois copos de vinho rosé (e mais umas cervejas) comecei, esperançado, a ter visões!





When, in 1667, Peter the Great, in the top of his two meters high, traveled through Europe, avid of knowledge, tasted and and felt in love by English beer.
In the following decades, brew masters improved a more alcoolic type a beer, capable of satisfy Russian taste for strong drinks.
A new style of beer was born for delight of Russian aristocracy.
Late at night, the gallery owner explained Martin Parr's success, related to his interesting life, his culture and specially because we loved to photograph crowds, and he did it in a natural way, with respect, never looking for the ridiculous side of people, filling their humble life with sense of humor and, at the same time, laughing of Parr's own memories, with whose he felt recognized and remember with tenderness.
That is, for the gallery owner, master's nature.
A wise advice for new artists and for new photographers: have a few drinks, read some books and go to the cinema.
Basically, became interesting guys.
Worried with day to day monotony that melt our creativity, I decide to finish my evening in market's bodega, trying to imagine how, as Peter the Great, with a few more beers and several tours around Europe, I could transform myself in a true artist.
But my fascination for (the announced) decadent and pervert Europe, take me off real probabilities of recognition in life.
After all, art is, before everything else, non conformity...whatever it means .
After two glasses of rose wine (and more a couple a beers) I began, with loads of hope, to have visions