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sábado, 14 de novembro de 2015

Longa Vida...por exemplo para o camarada (M)mau(o)



Hoje, acompanhado pelo almoço solitário, entornava duas cervejas - a primeira foi retirada com um atraso comprometedor da mesa vazia, porque ninguém tem que saber o que o senhor está a beber - e dedilhava distraidamente em cima das redes sociais e logo confundi prestígio com presságio, sim, logo no primeiro post.
Presságio?
Logo de seguida, enquanto  me dividia entre a vida pessoal dos outros e o assunto de cidadania do momento, distraí-me a contar entre os que estavam de costas para o costa e os de frente para o coelho - acho que havia mais dos primeiros do que dos segundos e assim se escolhem os amigos - porque esperava a carne de porco oriunda do Alentejo e tropecei numa fotografia do hastear da bandeira russa no Reichstag, que afinal de contas era apenas um mal entendido duma qualquer juventude que confundia ruínas com libertação, mas permitiu-me conhecer o Capra Russo.
Mas a cidadania proliferava no livro da cara e, entre uns e outros, sobressaía a mulher de postura estranhamente institucional.
Os homens calam-se num jogo submerso e a mulher emerge entre o ciclone das instituições
Longa vida para a cannabis...foi a única frase que destoava da nova postura improvável de estadista de legitimidade conquistada pela força da argumentação.
A bem ver, surpreendente mas não proibido.
E recuei à infância - provavelmente pela fotografia a preto e branco - pelo tom dominante e pelo regresso às origens vintage.
Sim, quando eu tinha onze anos, a televisão era a preto e branco, não havia redes sociais para opinar silenciosamente e eram os homens barbudos que falavam alto - as mulheres nem tanto, mas o momento pareceu-me familiar, em que era absolutamente imprescindível ter e expressar opiniões extravagantes sobre tudo e nada.
Falar alto pode parecer ser uma forma nova de conquistar legitimidade
Mas, do que eu me lembro, juventude longínqua, não é (novo)!
Continuava, a bem ver, às voltas com prestígio e com o presságio 
No fundo, tem tudo a ver com o poder, até que desponte a soberania da maioria silenciosa.
Isto não passa do exercício do poder - ainda me repeti eu - não fosse o mundo ter mudado de forma abismal no quase meio século que nos separa dos barbudos de armas na mão. (esses hoje vivem noutras geografias e são bem menos idealistas que o nosso passado)
A malta ainda não entendeu que vivemos no melhor mundo dos mundos e que a chave da felicidade já não é a ideologia - longa vida para a direção que tu queiras - mas a forma como ocupamos o nosso espaço sem violentar o espaço dos outros.
Chama-se partilhar cidadania
Aí reencontrei a palavra prestígio e afugentei o presságio 
Bah! - e esvaziei mais uma cerveja porque o fim-de-semana promete muitas outras más notícias!