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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Looking from (by) the Arch


Após quatro dias de chuva, o Sol invade a cidade
Finalmente.
Outra vez!
Não somos de todo um povo dado a nevoeiros prolongados nem dilúvios profundos.
E a moral hoje, entre as nuvens e uma manhã quente e húmida, do Sol que sopra para cima das nuvens, é incontornável.
Lisboa, que voltou a ser a cidade das cores magníficas do casario velho despejado sobre o rio, dos milhares de seres que invadem a Praça do Comércio de calções curtos e mangas cavas, numa peregrinação aos bons ares e à mentalidade cândida de uma capital com quinze graus acima do hemisfério norte.
E na subida para o arco, o bafo húmido de um dia de mudança climática interfere com a velocidade do elevador, encarquilha ainda mais a escada de caracol que nos conduz ao mecanismo, o protagonista do salão nobre da Augusta.
 (fará funcionar o sino ou o relógio, ou ambos, sempre com um minuto de avanço, uma preciosidade do relojoeiro de utilidade pública, preocupado com os transeuntes que não podem perder o barco para a outra margem)
Os poucos turistas que se aventuram escada acima, sem semáforos nem sinais de prioridade, fazem ecoar os seus passos nos tectos altos de pedra robusta, num som que serve de compasso ao sino que vai tocar, sempre de maia em meia hora.
O cão, espécie Lulu, conduz pela trela duas gaulesas, escada acima sem as largar, nunca saberemos se presas pelos incontáveis adereços argolados e presos em todas as cavidades menores, ou apenas pelo entusiasmo de levitarem em direcção ao terraço, e ao ar de Outono em tons de azul e cinzento.
(Terá o espécime de quatro patas pago ingresso?)
E lá em cima, sem grande companhia, a vista é, no mínimo, redentora, e a sensação de exclusividade compara-se à de um Imperador (porque não Augustus) que contempla um Império, um exército e um imenso povo que se espraia na praça em tons de prata.
E nem Lulu ladra nem a multidão exulta.

Olhando a cidade do topo do Arco da Rua Augusta é contemplação em estado puro!