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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Pachacamac – Os templos de areia



Na praia emergem os templos, o deserto e o mar, à beira de Lima, dos povoados que a cercam e da pan-americana.
O mais poderoso, influente e temido oráculo dos Andes, capaz de fazer tremer a terra…
Dizem as crónicas dos estudiosos do passado Inca.
Muito antes dos Incas, este é o solo sagrado que trespassou civilizações e as moldou!
Uma rede cerimonial – tudo neste povo evocava redes, comunicações capilares de crenças e deuses com forte representação humana – é preciso corporizar as crenças – redes de estradas que também ligavam importantes centros de peregrinação.
Com os Incas…
Redes de mitos com sentido prático: Pachacamac era também um importante entreposto, porque era preciso armazenar e distribuir os donativos que chegavam de zonas tão distantes, organização económica com senso mítico.
Um dos mais importantes centros de peregrinação do seu tempo e que reflete o modo especial como os Incas se flexibilizavam na forma de incorporar os povos conquistados
O Templo do Sol, erigido ao lado do Oráculo de Pachacamac, pré Inca, tão poderoso segundo crença Inca que o Imperador permitiu que, a par do templo de adoração ao Sol, continuasse este altar a exercer as suas funções…
Era também uma forma engenhosa de, através de uma corporação de deuses /de um pacto espiritual se promovesse a união dos povos
Flexibilidade na forma de governar os povos conquistados e os seus deuses
Uma lição de História…
As crenças religiosas dos Incas, baseiam-se na adoração do Sol Inti, e da sua irmã Lua Quila, num sentido tão literal do termo e do senso que tinham, como representação terrena, o Imperador e a sua incestuosa rainha Qoya
Bem, uma interpretação contemporânea!
Ouvida em excertos entrecortados pelo vento e pela tempestade de areia…
A mulher principal do Imperador servia de manifestação humana da Lua, irmã e mulher do Sol, mestre sobre o mar e os ventos, rainhas e princesas e é a raínha do céu.
Como um Deus tutelar (de outras crenças, de outros Deuses) Indi servia como os antepassados do Imperador atual e como símbolo para o Estado Inca em expansão
Eram os rituais que dominavam os grandes destinos- imperadores, exércitos e batalhas – e as alianças entre líderes Incas e locais cimentavam-se na consulta aos oráculos e – na esperança – na comunhão de profecias… que não tinham margem para o erro – sendo erro uma qualquer premonição de desgraça do imperador vigente
Os Incas veneravam paqarinas, elementos da natureza nos quais acreditavam que os seus antepassados tinham emergido (pedras, rios, grutas) … e foi desta forma que criaram a lenda da mítica origem do primeiro imperador
Aqqlawasi, as mulheres escolhidas, que desempenhavam um papel crucial nas alianças entre os líderes incas e os locais.
Para o bárbaro e sanguinário Hernando Pizarro tratavam-se das mulheres do Diabo.
Sem o esforço da Sandra, que se preocupava com a nossa capacidade de assimilar, numa concentrada aula teórica com reduzido material de demonstração, o essencial da cultura das civilizações pré hispânicas, teria sido difícil imaginar que, por debaixo de tanto pó e areia, se escondia tanta História dos povos indígenas.
Erosão dos invasores e do tempo, num manto de areia branca à beira do mar!



 

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