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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

As luzes de Lima

Chegar a Lima vindo de Norte é procurar entender os percursos do Conquistador
Nove milhões de habitantes depois, respiramos uma cidade ao pôr-do-Sol, Lima de nome próprio e Cidade dos Reis como apelido
Sem memórias próprias, refugiei-me na romanesca história de Isabel Allende, história passada escrita em nome próprio, como se Inês fosse uma reencarnação da História
Não posso deixar de me imaginar sósia espiritual de Inês, meu amor a desembarcar no porto de Callao em busca do marido emigrado, com um fardo incomensurável da travessia do Atlântico, das selvas pejadas de índios selvagens e hostis (canibais é a lenda!) em plena década do primeiro farwest da história, quer no sentido efetivo do termo – o mais longe oeste possível – quer no sentido mais lato de terra sem lei nem ética precisas.
O mais Oeste possível, entenda-se dada a época em causa, com terra firme e riquezas palpáveis,
Por vezes, o destino e o temperamento de um povo fica completamente definido à nascença e a sobreposição maciça e intrusiva de povos durante a colonização ocidental só pode ter criado uma falha tectónica permanente. Se a ira dos Deuses de Pachacamac pode fazer tremer a Terra…
Hoje, quem por aqui circula não entende, sem equívocos, quem venceu o duelo!
Em 1533, ainda longe da mestiçagem do país, não se entendia ainda que povo iria resultar
Palavras de Inês.
No universo quase contemporâneo de Vargas Llosa, o autor reconhece nas tribos índias da Amazónia os limites humanos para a mestiçagem, um fim do mundo próximo que nenhuma potência dominante quis (ou pode) aculturar.
Na Lima dos anos cinquenta, a mascarilha de “o falador” interrogava-se perante o autor implícito sobre o futuro destas criaturas, “as caricaturas de homens que são os indígenas semi aculturados das ruas de Lima”.
Sobrevoámos a uma altitude branca, a grande selva amazónica, da costa ocidental do Atlântico para a costa ocidental do Pacífico, sem escalas nem referências aéreas vincadas, e não sentimos as duas faces do mesmo oceano, com os seus ventos e correntes, apenas uma perspetiva oriental do novo mundo.
A aterragem em Lima foi o suficiente para entender que o Perú é um país de mestiçagem de culturas e que os invasores também foram aculturados.


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