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sábado, 19 de maio de 2012

Lisboa Porto Lisboa

O país e a paisagem desfilam diante a minha indolência, uma sucessão de imagens filtradas sem cheiro nem temperatura, sem detalhes nem contemplações desnecessárias
É basicamente um resumo um trailer, mas muito real, muito rasgado no país real daquele que ainda (ou já) cultiva os campos.
Muito confortável este papel de observador do mundo, discricionário e poderoso, um secreto deus menor e redentor em quem, afinal de contas, o mundo não reparou.
Fugaz intromissão na intimidade rural, afinal o país respira para além dos bunkers civilizacionais, a partida e o destino.
Os personagens fortuitos e involuntários não têm tempo de recompor o cabelo e olhar para o filme que é o comboio
São as pessoas como elas são, animais que pastam, os campos de árvores de frutos e um país que parece redescobrir a terra que tem um novo e libertador apelo.
E apesar do calor tórrido. o campo está verde da chuva abundante e recente!
E o campo verde transforma-nos num país verde longe do deserto castanho… e os milhares de poços que eu nunca tinha reparado, círculos desenhados na natureza bucólica e rural que ocupa a maior parte do nosso espaço vital e da nossa consciência coletiva.
Mas para quem viaja lisboa porto lisboa no inter cidades tem a tendência de se esquecer, porque não vivemos para além das ilhas que são os destinos e as partidas, cercados prisioneiros da urbana confusão que nos junta a todos em colmeias de seres e ruídos, convencidos de que somos o neurónio do país.
E o trator ao fundo descobre-se entre uma nuvem de poeira com a luz laranja intermitente como que avisando os poucos pássaros e a natureza imensa que estava apenas de passagem, incomodo mas efémero.
E de repente o filme pifou!
Sem nos apercebermos, recordamos a indolência que provoca o embalar compassado do velho inter cidades e, sem modernas tecnologias pendulares que me deixam enjoado, partimos e chegamos e a magia do silêncio induzido pelos ruídos mornos e sincopados dos carris desvanece-se.
Primeiro os armazéns, depois os automóveis, depois as pessoas apressadas, e finalmente o verdadeiro ruido
A cidade chegou e nós partimos!