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domingo, 3 de janeiro de 2010

CA

CAHUITA, Costa Rica 2007
Pura Vida no Caribe





Instalou-se o espírito reggae na Costa…
Stolen from Africa,
Fight to survive!
Cheira a erva, uma réplica de Bob Marley cheia de alucinogéneo, um indígena de peixe fresco pendurado no guiador de uma bicicleta, as tranças saltitantes servem de moldura a um riso tão branco como a esperança, afinal a bicicleta caminha sozinha pelas vielas esburacadas do Caribe…mudámos de clima, de cores, de país e afundámo-nos no último refúgio beat!
A gorda agita os suculentos seios, a bicicleta não pára de rodar, o puto circula na praia preta e o swing mudou de ritmo.
Descobrimos um cão voador (ou seria dançarino?) o reggae não deixa certezas.
Apenas o telemóvel nos desperta para a globalização, nas mãos das meninas da praia e do bar.
O areal da playa Negra, vagamente surf, liberta uma energia simbiótica, crioulo, escravo e o esquecido lado dos Ticos, relaxe total que contagia todos os maltrapilhos inquietos do mundo moderno, pés coçados de sujidade, areia escura e falta de duche. E talvez este bizarro “slow motion” nada tenha a ver com o intenso cheiro a erva que perfuma o ar e sobrevoa as tranças alucinogénicas dos verdadeiros descendentes do Índio americano!

Sim, porque também os cães saltam que nem perdizes loucas e felizes, existem inúmeras crianças no filme, as ondas esforçam-se como tudo para parecer sérias e mesmo os visitantes normalizados atacam a manhã tardia com Imperial, a verdadeira cerveja da Costa Rica.
Só encharcados de almoço e Margarita, as bicicletas se transformam em transporte colectivo, tipo bike rentals no jardim das palmeiras, low cost, bed & breakfast, roupas penduradas no estendal, putos largados no quintal, o mesmo gingle de sempre, seis dólares o dia, pagas quando pagas, agora ou depois, tu é que sabes amigo, que os pedais travam para trás, uma verdadeira carretera esburacada, back to Woodstock, Canoa Quebrada, altar a todos os sítios que insistem em existir, apesar de já terem passado de moda, pelo menos há trinta anos.
Longa Vida para vós irmãos – diz ele
Os mesmos rostos, reggae all the time!
Pulseiras a um dólar que invadem as entradas do Parque Nacional, a recepcionista só aceita donativos para conhecermos muitos animais, macacos, aves e serpentes…Muitas?! Não, apenas pouquinhas e bem alimentadas.




E a noite caiu, tão rápida como as cinco e meia, prolongado por um banho ao crepúsculo, as bicicletas que voam com destino a Magalhães, ibérico de certeza, e com a noite veio o dilúvio impiedoso, que molha que se farta, mas não arrefece o ânimo, a, sem ponta de alcatrão vontade e o cheiro a erva-doce, sem pecado nem remorso!
E aquela que julgávamos velha, mas não era de tão grávida que parecia, a cozinheira da Edith, que afinal era Louis, gritava para o staff… e os sabores mediterrânicos voltaram!
E nem o peixe do dia assustou, porque tubarão não há para cá do Coral…
A praia é de areia preta, não há hotéis sequer, suspeita-se que a barracuda atravessa para cá do Coral, mas a lagosta era soberba e o lado levemente (?!) decrépito das vielas esburacadas e as noites psicadélicas dos sósias das estrelas do rock angustiado…são irresistíveis

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