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domingo, 12 de junho de 2016

Prometeu, ou a origem da raça humana


( Uma instalação de Mariana Dias Coutinho, Land Art Cascais, Quinta do Pisão 2016)

Faltava pouco para o Sol desaparecer na entrada do poço do Porto Covo onde, no século passado, os rendeiros do local extraíam cal.
Pouco para o Sol se afundar na ribeira da Quinta do Pisão.


Prometeu significa premeditação.
Co-criador da raça humana utilizou areia e argila para criar a raça humana.
A artista usou figuras de cerâmica e pedra e parece sugerir que a humanidade se cansou de ser criada, caminhando de forma ordeira e indistinta na direção da sua aniquilação.
Considerando, por um lado, a profundidade do poço e, por outro, a dimensão e a simetria das figuras (ausência absoluta de uma vontade própria e dissonante) eu diria que a artista inverteu o mito de Prometeu, o Titã que, desobedecendo a Zeus decidiu criar o Homem e roubou o fogo de Olimpo para o fortalecer.

 

Na direção do poço do Porto Covo, onde antes havia cal e hoje só escuridão e silêncio.
(Enquanto o Sol já não é mais do que uma fugaz mancha de branco efémero)



Consta que Zeus castigou Prometeu a trinta mil anos de sofrimento, agrilhoado e exposto aos ataques das aves de rapina (para outros por toda a eternidade, porque Prometeu era imortal)


Falta pouco para o Sol se por no vale de Porto Cova, Quinta do Pisão e, a avaliar pela determinação das figuras de pedra e cerâmica, já não falta muito para se cumprir a premonição da artista...


Zeus deveria ter as suas razões e Prometeu, o "previdente" corre o risco de cumprir pena, muito para além da validade da sua criação.
Pobre Prometeu.



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