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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Ben, o graffiter







“ O graffiti é incomodativo, é mesmo anti-social, mas não podemos nunca renegar que esta foi a origem da street art. E não podemos, hoje, renegar esta fase de experimentação, na qual todos nós aperfeiçoámos a técnica e todos fomos perseguidos como perigosos agitadores que assaltávamos as paredes limpas para construir com os nossos sprays o futuro da arte”
De rostos cobertos, não imaginávamos ter, neste futuro que é o presente, de gerir estes dois universos, o ilegal e subterrâneo e a arte e a fantástica qualidade técnica destes jovens.
Hoje vivemos e trabalhamos numa linha ténue que separa o reconhecimento artístico, a indiferença da autoridade e o risco de, uma vez por outra, sermos presos porque alguém aplica a lei.
A arte de rua é a verdadeira faceta vanguardista da arte.
E aqui no bairro, uma pintura na parede dura, em média, algumas semanas, porque há sempre novos artistas e as paredes disponíveis de uma cidade de vidro que nos engole, são cada vez menos
“Where do you come from?”
Singapura, um estágio na City, banca de investimento
“ Detesto os tipos da City, porque não conhecem os limites e não respeitam a História. É demasiado desproporcionado o poder do dinheiro”
O Soho há cinquenta anos, Camden há vinte, hoje Shoreditch, amanhã terra de ninguém…
E a riqueza de Londres sempre foi a diversidade cultural, o melting pot de civilizações que sempre povoaram a cidade, e que foram preservando os bairros e a História, acrescentando-lhe cheiros e sabores, sem retirar a sua essência de centralidade
Não foi o poder financeiro.
Ben Slow, poeta redentor, um artista de rua, famoso no espaço cibernético.
E é neste preciso ponto que a vanguarda do dogma zero se intercepta com as preocupações da formal e poeirenta realeza.
A História
Redentor e surpreendente, o poeta Ben e esta aliança improvável, não estivéssemos nós provavelmente na cidade mais surpreendente e improvável do mundo.
E, ao fim de duas horas de passeio de cabeça descoberta, ninguém foi preso e o visitante de Singapura, foi provavelmente o mais bem tratado pela alternative London walking tours
Pelo Ben.
É por isso que adoro ser Europeu. Só tenho pena de não poder mostrar a sua cara…é que nunca se sabe se os poderes ocultos podem, hoje à noite, querer aplicar a lei, ou o próprio Ben, ao abrigo da lei que protege a sua imagem, ter vontade de me processar.
Adoro ser europeu
Não fosse o diabo tecê-las, paguei generosamente ao Ben. Afinal de contas, ele também mereceu!