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terça-feira, 21 de maio de 2013

Água morna no parque dos patos!


 
 
 
Estava uma luz tão fantástica que me tornei papparazi do céu e do mar, da menina e do cão, pretextos em paletes de cores vivas e quentes
Não sem passar no parque dos patos
Há anos que não via os putos a trepar os escorregas, a tombar no chão de cascas de pinheiro
A memória constrói-se de esquecimentos sucessivos e eu via-me a correr atrás dos putos, dos meus putos, a contar os patos do tanque e a divagar sobre a sua árvore geneológica
A memória constrói-se...
Os patos já não são certamente os mesmos...e eu tínha esquecido estes caminhos tão próximos
Os putos tornam-se crescidos e o caminho do parque dos patos desapareceu, de tão perto, de tão rotina
Virei a rua à direita e esqueci a esquerda.
Hoje a memória fez-me lembrar que a nossa compartimentada vida faz-nos esquecer dos momentos e dos lugares de uma velha vizinhança
Os piqueniques no parque dos patos mantinham-se indiferentes a esta melancolia ingrata de quem não volta porque sabe que os putos já não trepam os escorregas assépticos e conformes com a legislação comunitária
 
 

 
 Hoje, nos confins de uma adolescência profunda, reencontrei o caminho do parque dos patos e da praia das águas mornas
Parece que a memória faz renascer o fôlego!
Constrói-nos...