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sábado, 18 de maio de 2013

BBJ - Bikes, Boats and Joints

 
Uma nuvem de cheiros assopra a leve, mas persistente, brisa irreverente dos canais.
A erva paira no ar!
É surreal a atmosfera que povoa as ruas de Amsterdão; milhares de loucos da bola numa intermitência que se completa entre o azul e o vermelho, fogem à frente das furiosas e implacáveis bicicletas que aceleram nas ruas vermelhas da cidade e cantam que nem tordos a festa da cerveja e dos vapores que se confundem com os tímidos raios de Sol e se substituem aos fumos de uma poluição que não existe na cidade (quase) sempre automóveis.
 
 

Na rua do distrito vermelho, a cor predominante é o azul e os últimos espécimens transformados - quase kitados - da (dita) mais velha profissão do mundo, levitam nas ruas e deixam as janelas vazias de lençóis de cetim, pavoneando-se na calçada entornada no rio, embrulhando a sua natural multiculturalidade numa carcaça musculada, particularmente brilhante de óleo sintético em que a nudez se confunde com o plástico que cobre as (não) intimas porções de corpo (pele e alma vendida ao diabo)
Esta é a única referência vermelha no diabólico bairro da lanterna rubra e o terreno de jogo é dominado pelos ingleses.
Bravos lusitanos em retirada para a praça Dam, bastião de Viriato no Reino protestante da Holanda.

Descontração e indiferença destes holandeses que circulam frenéticamente nas suas próprias vidas, porque têm a certeza que o amanhã se constroi de um circo desmontado, um cheiro adocicado mais leve e comedido entre portas das suas liberdades privadas e muito exclusivas.
Quarta à tarde em Amsterdão e o circo da bola saíu à rua. 
Mas quando nos recolhemos nos claustros de um refúgio museológico autóctone, longe da superfície ruidosa dos hóspedes tolerados, sobressaem os anfitriões descontraídos e indiferentes, cercados de uma ténue moldura de símbolos de uma cidade sobre rodas e entre canais.
 
 

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