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quarta-feira, 10 de abril de 2013

London Eye & Other Stories


 
South Bank, junto do olho de Londres é um terraço com vista para a cidade histórica.
South Bank foi a primeira revolução na conservadora capital do império com data de nascimento nos anos sessenta, firme constituição física de betão e formas retas, sem adornos vitorianos nem reluzentes brasões de uma orgulhosa e extravagante monarquia.
Convenientemente localizado na margem sul, com o rio a proteger a verdadeira cidade destas modernistas fantasias arquitetónicas, agora gloriosamente apelidadas, entre muitas outras coisas de revivalismo vintage (curioso que hoje, vintage representa tudo o que tem mais de trinta anos)
Só o pato permanece imóvel para uma foto triunfal com o Big Ben ao fundo porque tudo o resto é um palco multicultural que desfila entre salas de espetáculos e exposições temporárias; mais do que temporárias toda a arte de rua (e muitas das construções contemporâneas) é (são) efémera (s)
O olho de Londres revira as órbitas continuamente à procura da posição ideal, entre a programada efemeridade e a prometida glória eterna!
E depois, na milha absolutamente experimental da margem sul em vésperas de Páscoa, tudo se passeia e se mistura, barracas de comes com um cheiro a fritos tão feirante como outra feira qualquer, putos de skate em riste por entre obstáculos de um cinzento arredondado, esplanadas de tecnologia sem fios, crianças de balão ao alto em carrosséis de madeira, bolas de sabão que envolvem as pontes e as barcaças do rio castanho, a momentos verde carregado, todos â espera do concerto, após uma digestão de arte contemporânea, ou a correr a verdadeira milha de Londres debaixo dos seus pés, do Parlamento à Torre de Londres, sempre inatingíveis (porque os rio nos separa da cidade que viveu a faceta gloriosa da História) mas tão perto que toca a nossa vista
Vidro, betão e os armazéns que alimentavam a velha metrópole, de mercados fervilhantes e energia elétrica, agora a grande turbina da arte de vanguarda que se perfilha, com o Millennium pelo meio, na simetria da catedral de Paulo, das princesas e dos reis de encantar.
 
 
À medida que a margem se embrenha no leste, os túneis tornam-se mais sombrios, e as cavernas de fantasmas e estripadores pululam nos becos, como verdadeiros parques de diversão negra e as margens enchem-se de relíquias trágico-marítimas que atravessam os séculos até aos sinais vivos da nova fúria construtora dos britânicos, em busca da torre de vidro perfeita.
È esta mistura fina que transforma a margem sul na milha mais excitante cidade, tão perto mas tão longe, invulgar e moderna, com vista desafogada e sem cumplicidades com as glórias da História do Reino.
Na sombra da Shard!