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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Éfeso - uma cidade imaginável





Éfeso: E os romanos chegaram à Ásia Menor
Nas pisadas dos gregos este é um símbolo do (s) magnífico (s) Impérios (e um magnifico símbolo do Império)
Em busca da sétima maravilha do mundo antigo, o Templo Artémis que dizem, se evaporou para o Oriente, planámos sobre a cidade de mármore, dos templos e anfiteatros, uma perfeita noção de continuidade entre os gregos arquitectos e os romanos engenheiros.
Éfeso escorre para o mar imaginado, ao longo de toda uma encosta de plenitude artística e imperial.
É uma cidade soberba e absolutamente imaginável, quase vinte séculos depois do seu declínio, porque o mar recuou, antes que a ousassem arrasar.
Talvez porque o Ocidente aqui se instalou até ao século XV.
Uma cidade de duzentas e cinquenta mil almas, gregos que nunca foram verdadeiramente gregos, mas que foram os últimos a deixar de ser romanos.
Ágora, a Biblioteca de Célsius, e um anfiteatro para trinta mil pessoas, eternizaram uma dimensão que impressiona e que nos faz sempre recordar que nos encontramos numa terra de todos e de ninguém
Na cidade moderna, só os homens se pavoneiam nos cafés; também aqui o mar Egeu que secou nas margens, arrastou consigo o espírito universal e igualitário das origens do local.
Mesmo depois de Âtaturk ter exilado o Sultão em S.Remo, ironia suprema, um ícone do Ocidente profundo.
Sempre a mesma indecisão basculante, dicotomia irresolúvel entre o Ocidente e Oriente próximo
Por aqui as pedras sempre serviram a cultura dominante e, por isso, tudo se arruína à passagem dos tempos.
Os banhos turcos substituíram os romanos, as mesquitas não respeitaram as igrejas que, por sua vez, haviam sonegado a história e alma da maioria dos templos.
Mas ficou o conceito de cidade. Provavelmente porque foram sobrando pedras…nem sempre a criatividade é um sinal dos tempos!
Em Izmir, debruçada sobre o mar egeu, as cinco milhões de almas turcas reclamam a herança grego romana, e as mulheres não se escondem por detrás de uma vergonha encardida.
Do cimo do convés, com a cidade a extinguir-se no seu profundo horizonte, as mensagens subliminares deste mundo nada evidente – que não corram o risco de se transformar em almas penadas – fica a recordação, impressa em pedra sem tempo, da fantástica fachada da biblioteca de Célsius, uma obra que deu luz a anos de trabalho do seu arquitecto, na cidade grega que só atingiu a sua plenitude com os seus sucessores (na prática os mesmos) romanos, agora turcos, nem persas nem ocidentais!