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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Rail to Machu Picchu


Vistadomme desce o vale estreito a um ritmo descontrolado de mais de 20 km/h.
E o vale estreita e aproximamo-nos das paredes de uma vegetação mais densa, adivinha-se a selva amazónica por detrás dos picos, para onde o rio urubamba se despenha, ora alargando ora encolhendo, conforme o espaço que a montanha lhe concede.
Os rápidos não desarmam, uma ansiedade irreprimível de chegar ao grande rio Amazonas.
Vistadomme desce ao ritmo da música espiritual andina e persegue a corrente do rio, sem êxito.
Na última curva do rio, águas calientes espreme-se no fundo de um entroncamento de desfiladeiros, como uma terra de múltiplas fronteiras: a selva amazónica, a cidade perdida nos cumes inacessíveis e o caminho de fuga de um dos últimos “ultimo” inca em direção a villacamba nos seus exílios lunares, enquanto o seu mundo de bronze se desmoronava a sul e a norte, a leste e a oeste e nascia um mundo de um só deus…
 
 
A linha férrea semiabandonada que trespassa o vale e o povoado entre pizzerias, lojas de souvenirs e hostels de mochileiros, submergindo a estrada inexistente, que já se afundara no vale sagrado recorda-nos que, depois de águas calientes só resistem os bravos do pelotão!
Bom, consideremos que esta é uma visão fantasiosa, mas reconfortante.
Enquanto habituo a minha visão à baixa altitude (afinal de contas estamos a pouco mais de 2,000 metros) e à agitação multidireccional (porque vem de todos os lados, culturas e latitudes) despejada em rápidos de seres humanos à procura de um momento de comunhão sobrenatural com a mãe natureza, invadem-me perigosas alucinações.
Vindo da selva, escapa-se primeiro um rasto de fumo a sobrevoar os telhados de zinco (uma gata nos telhados de zinco?), depois a aparição de um longo e ruidoso comboio a abarrotar de madeiras preciosas, culturas tropicais, indígenas e metais preciosos, que invade o fundo da rua dos souvenirs, e se aproxima velozmente da nossa visão grande angular…
E ninguém parece estranhar…
Um fantasma (será a sua transparência, sinónimo de imortalidade?), de manco inca pulverizado de ouro, chapéus altos e tecidos garridos, puxa do apito, impassível mas obstinado, rio acima em direção ao vale sagrado.
 
 
Começou a subida alucinante para a cidade perdida!

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