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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Boletim Meteorológico do Mundo

Ouvimos nos últimos que a chuva assassina matou centenas.
A natureza não é, por natureza, (sim, a repetição é propositada) assassina.
O que é assassino á a forma como a proclamada civilização se posiciona diante dos elementos!
Porque razão uma chuva torrencial de umas horas mata centenas no Brasil (como já matou em quase todo o lado) e uma inundação de semanas na Austrália que cobre um território equivalente a dois dos maiores países da Europa, não mata nem sequer vinte?

Imaginem porquê...

Nos próximos episódios voltaremos ao hastear da bandeira das mudanças climáticas - claro qua há mudanças climáticas, é esta a natureza do planeta nos últimos milhões de anos - como a causa de todos os males.
Claro que é a civilização que provoca a (maior parte) das catástrofes, mas provávelmente não apenas (nem principalmente) porque provoca alterações do clima, mas porque se intromete no curso normal das suas mudanças.
Parece a mesma coisa, mas causa é diferente da consequência e nós humanos gostamos mais de nos julgarmos importantes (uma espécie de Deuses terrenos do Planeta) que simplesmente imprudentes ( e todos os adjectivos associados)- que é o que somos quase sempre
Abomino a contabilidade macabra, mas a imprudência tem responsáveis precisos, que normalmente não são as vítimas.
Detesto esta retórica de esquerda dinaussáurica, mas começa a irritar-me que todos chamemos impropérios à natureza, que não faz senão aquilo que é esperado que faça: chuva, sol, vento, nevoeiro.
Só reconheço impotência absoluta sobre outros fenómenos naturais que brotam da terra.
Aí provávelmente, não nos resta alternativa senão evocar os Deuses zangados, e assumirmos que somos tão ignorantes quanto as civilizações ancestrais.
Que se salvem apenas os sacrifícios humanos!
Óbviamente que não há verdades absolutas, mas à água o que é da água porque, o que a tecnologia sabe, o Homem ignora.
A imprudência e a inconsciência são característica dominante do século passado (e provávelmente dos outros) e conduziu-nos aos maiores desastres da História e perpetuou aberrações da (natureza) humana!
Está na hora de assumirmos que não controlamos os elementos e que nos devemos adaptar a eles.
A sabedoria de um futuro tecnológico começa por aceitarmos o que o mundo (a dita natureza) nos permite
Há quem diga que esta seria uma forma de estar mais feminina e que esta prepotência humana face ao incontrolável tem profundas conotações fálicas.
Se assim for, que realcemos o nosso lado feminino...ou deixemos as mulheres tratar de nós e do mundo!

Porque no meu imaginário a natureza é feminina.

Deleitem-se