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domingo, 19 de abril de 2026

Amar assim perdidamente

 

Ontem, foi um grande concerto porque um grande concerto é uma voz que abraça uma vida, e são dez mil vozes em coro por uma adolescência tardia, quarenta anos depois de acreditarmos que faríamos a diferença e que iriamos mudar o mundo.
Claro que o Luís continua a cantar como um cristalino sonho e nós  não mudámos grande coisa mas, ainda assim, ontem foi um concerto cheio porque não despertou saudade, mas apenas sorrisos de condescendência doce sobre os nossos passados de desassossego e de esperança infinita.
Há dez mil vozes que cantam em unissono sem hesitação apesar de sabermos que o nosso tempo está a passar, apressado, mas não há nas suas vozes vestigios de uma velhice anunciada, porque afinal de conta já tivemos mais de quarenta anos para tentar a nossa sorte, jogar os dados e mudar o mundo.
Na grande sala, um pavilhão que se veste de casco de caravela ou outro navio qualquer, juntaram se numa só noite todos os concertos intimistas do chafarix e da aula magna, e nunca o coro pareceu tanto um eco geracional como quando cantamos com o Luis que ser poeta é ser mais alto, é ter garras e asas de condor e já não havia no nosso coro qualquer tom de desapontamento nem desassossego,  afinal não mudámos o mundo mas vivemos um mundo inteiro e um grande concerto é aquele que desperta apenas as melhores memorias e ter fome e sede de infinito, é condensar o mundo num só grito, é amar assim perdidamente todas as palavras que fomos capazes de dizer.
Entre bruxas, caravelas e causas sempre encontradas
Grande concerto, Luis

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