Pesquisar neste blogue

domingo, 7 de maio de 2017

O austríaco tropical





Hundertwasser foi um austríaco invulgar.
Quase um anticristo da genética continental de um povo que expandiu as suas ambições imperiais em torno da capital de um império terreno, enquanto as forças não lhes faltaram e a vida passou a acontecer para lá das paredes de Hofburg.
Este amador inspirado, que interpretou a arquitetura e a pintura como um ato de embelezamento, assim descrito pelo desdenho dos clássico, acreditava que as coisas tinham de ser belas.
Este homem, que hoje apelidam de ecologista, nasceu das convulsões republicanas da Viena Vermelha e cresceu na época negra de uma nação ocupada e reduzida à sua dimensão regional, mas nunca perdeu o fascínio pelas cores vivas de um mundo percorrido, sem ordem mas, principalmente, com curiosidade.
E, por isso, foi colhendo todas as tendências da arte contemporânea, revestidas das cores exuberantes que representam um indisfarçável deslumbramento pelo imaginário tropical.
E, de projeto em projeto, concebeu urbanizações que embrenhavam as casas na natureza como casulos que apelavam à proteção do Bom Selvagem, revestiu igrejas de formas geométricas concêntricas – tal como o mundo acaba, um dia, por ser – forrou a primeira incineradora urbana de Viena com artefactos que alimentam o imaginário surrealista e espacial – havia algo de simultaneamente ingénuo e extraterrestre nas suas formas de expressão – para os lados de Karl Marx Hof, uma das obras sociais de marca da Viena Vermelha, dois anos depois de nascer.
E, de resto, vagueou pelo mundo e morreu no maior dos mares do mundo, no Pacífico, a bordo do maior barco do mundo, o Queen Elisabeth, no ano em que o mundo mudou de século.
Como se soubesse que ele era um homem de um só século, um sucessor não nomeado dos artistas austríacos que derrubaram a estética dominante do império e que anteciparam a secessão, duas décadas antes do tempo.
E, tal como quis, foi enterrado nos antípodas da Europa – Nova Zelândia, para ser mais preciso, o paraíso verde do mundo, dizem, ameaçado pelos males dos outros, um composto de buraco de ozono.
A Viena deixou um museu com centenas de obras suas, um conceito, um bloco de apontamentos e um contra espaço ao imperial reinante.
E evaporou-se.
Apesar do seu espírito afrontador e disruptivo, um grande borrão de cores, olhos nos olhos com a beleza austera e a preto e branco, dos palácios do passado, apenas umas centenas de metros para ocidente.
E evaporou-se.
Apesar de ter marcado quase tanto como a nudez ostensiva de Schiele e Klimt
Evaporou-se para os confins, não sem antes deixar escrito nas paredes da Unter Weissgerstrasse, 13 uma despedida lapidar.
“If we do not honour our past, we lost our future. If we destroy our roots, we cannot grow”

Tão simples quanto a obra que deixou.




terça-feira, 2 de maio de 2017

Out of Office



Amoreiras, para lá do Sol posto
Assim até vale a pena chegar tarde
A cor?
Essa ficou só para mim!
Não foi hoje, mas bem podia...



No limite do infrator



WPP é um (raro) fenómeno de massas quando o assunto é fotografia.
Claro que aqui a imagem não pretende ser arte, mas uma janela para uma visão do mundo.
Tendencialmente grotesca e extrema, em grandes formatos e cores que apelam ao drama.
Uma realidade extremada que angaria multidões, seja em frente ao rio e aos tropeçar das gentes, seja para lá dos montes, onde ninguém passa ao acaso.
O ar que se respira é pesado e o acotovelar das famílias é tanto mais intenso quanto mais insuportável é o sofrimento humano.
A natureza, o desporto e as minorias jazem inertes e sem entusiastas seguidores, uma espécie de ar puro e de espaço livre que afugenta os nossos insaciáveis olhares.
Sempre mais intrusivos, os fazedores de imagem tornam-se os protagonistas do desespero humano.
Informação ou glória, ou quantas imagens valem uma vida humana?
Apesar da penumbra dos espaços, são as sombras e os ruídos de um quotidiano despreocupado que incomodam a reflexão impossível.
Voyeurismo ou uma pesada consciência social?
Disfarçar os relevos e atenuar as cores são a (melhor) forma de respeitar as vítimas







segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia de luta (ou a revolta dos elementos)


#1 - Forgotten



#2 - Fly through



# 3 - Against all odds



#4 - Until last drop



#5 - Threatened boundaries (in shadows)



 #6 - Until last drop (party's version)
  


#7 - Flower power



#8 - Revolution wave



#9 - Cross winds



#10 - Road to freedom