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Berlin StadtSchloss deverá renascer em 2019 e nada
ficará igual na ilha dos museus, porque será reposta uma peça importante da
História de Berlim e porque certamente, como em todas as obras do novo regime,
nada ficará absolutamente igual ao original porque para um Homem de Berlim, não
chega recuperar o passado, exige sempre acrescentar presente.
Nem na Unter den Linden, a grande avenida dos imperadores.
1442, 1702,
1871 e 1945 foram datas importantes para o castelo da cidade.
Mas o que a guerra não conseguiu totalmente, fê-lo,
em 1950, o III Congresso do Partido
da União Socialista da Alemanha.
Deitou as ruínas ao chão, em prol das multidões e dos
espaços abertos para o culto de Marx e Engels.
E em 1973 construiu,
em competição modernista com o ocidente um palácio da república compactado de
vidro e repleto de amianto, uma contaminação à qual apenas o socialismo era
impune.
Destruído em 1990,
logo o novo campo aberto pareceu vazio ao novo regime, agora que os milhares de
pioneiros haviam queimado as fardas e abdicado dos desfiles ideológicos.
Iniciada a construção em 2013, é hoje bastante mais do que o sonho que viveu, nos últimos
oito anos, dentro da caixa de Humboldt.
Para o arrepio dos federalistas alemães que, há
bastante tempo, reclamam que os desvaneios da capital se constroem à custa do
suor e dos impostos dos BundesLander.
A recuperação obsessiva da História é um direito de
uma cidade destruída e perdida, durante décadas, em equívocos geoestratégicos.
Mas a ânsia de reconstrução e de ocupação de espaços
vazios na enorme cidade aberta, é mais ambiciosa que o crescimento que a cidade
permite e, sobretudo, do que a imaginação e a criatividade para encher os
espaços com as realizações do presente.
Sobretudo porque já não há impérios capazes de
repatriar, das origens da História, os despojos que engradecem os museus da
Europa.
(Verdade seja reconhecida, e os preservam dos climas
de guerra permanente – e aleatória – que povoam o resto do mundo. Triste que as
maiores peças construídas da Babilónia estejam hoje, provavelmente, em Berlim)
A nova inquietação dos berlinenses não é o estaleiro
permanente em que vivem, nem a dificuldade em encontrar mecenas que financiem
projetos arrojados.
É antes encontrar um significado interior para os
espaços reconstruídos da História e ainda acrescentar um presente grandioso à
grande planície da Europa Central.
A ideia de continuarem a possuir dois aeroportos, e
nenhum deles ser uma referência, nem sequer europeia, deixa-os inquietos, mas
falta-lhes ambição e certezas de que alguma vez seriam capazes de ocupar os
novos espaços como têm sido incapazes de preencher o mítico Templehof, hoje um
espaço gigante e inerte que apenas ganha vida quando residência temporária de
refugiados.
Muitos deles, vindos da Babilónia.
Última paragem em Bernauer Strasse e a matemática
joga a favor dos berlinenses: 29 anos depois, já podemos afirmar que a
separação de 28 é história, e o todo que se reconstrói em milhões de peças
continua a ser, mesmo depois da subtração da História, bastante mais do a soma
das partes.
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