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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Xira – A lezíria já não mora aqui




As memórias de Vila Franca espreitam das paredes, forram as calçadas do centro da cidade e procuram despertar em cada taberna ou casa de petiscos o Ribatejo das lezírias e dos campinos, dos touros e da festa brava.
Puro engano, traições da memória de uma idosa, que se prende aos detalhes de recordações longínquas e se abstrai dos montes que a não deixaram crescer, da autoestrada que a emparedou de encontro ao rio, esventrada por um caminho-de-ferro que não tinha mais por onde atravessar.
O rio Tejo, a sua verdadeira fronteira que a afasta da lezíria dos espaços amplos do (Ar) Ribatejo.
Apesar das tentativas de canonização terrena da tradição da terra, eternizada nos museus municipais, na praça de touros e na toponímica das ruas, largos e becos, o passado de aqui não sobrevive para além da festa do barrete verde.
Agora são os touros mecânicos de ferro e aço, de rodas e carris que irrompem pelas diversas latitudes da urbe que se habituou a ser entreposto e subúrbio, um corredor com vista para a miragem que transpira o suor dos viajantes.
Sob as árvores frondosas da língua de terra e paz, isola-se o jardim ribeirinho, que procura virar as costas ao burburinho, à descaracterização, aos comboios, e ao tráfego anárquico.
Os velhos nos bancos de jardim e os estudantes nas mesas da esplanada, escolhem os lugares virados para o rio pardacento e para a lama fértil das terras além rio, entre apitos das locomotivas e o miar lânguido dos gatos que se espreguiçam dentro dos botes ociosos, ao Sol e ao sabor das ondas.
Também eles sabem que as fragatas, os varinos e a faluas, são meros museus flutuantes de séculos de pesca no rio e já não saem ao rio nem desafiam nem o sável, nem as marés.
No silêncio do olhar vazio de uns e no burburinho incontido de outros, atravessa-se a ponte entre o passado e o presente, a lezíria e o subúrbio.


sábado, 7 de janeiro de 2012

Heróis de Pátria I



Nas barbas do Tejo espraia-se um Inverno mais do que suave, no final da manhã do último dos dias do ano, com cores tão intensas - mais cor de trigo ao pôr de sol. todo o dia - que provoca um efeito de endeusamento do rio, uma vénia encandescente em troco de um sorriso fugaz do rio, do castelo e das margens.
Sente-se a amplitude de um lugar, deste lugar, no serpentear do Tejo e no ar de Outono tardio que se respira neste corredor de vida, num perfeito alinhamento de árvores, desfolhadas mas hirtas, com a estrada, o curso de água da vida chamado rio e os fascinados campos do Ribatejo.

Castelo de Almourol,
Lendas à parte, respira-se a Reconquista e a Ordem dos Templários, os primeiros Heróis da Pátria recém nascida!