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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia de luta (ou a revolta dos elementos)


#1 - Forgotten



#2 - Fly through



# 3 - Against all odds



#4 - Until last drop



#5 - Threatened boundaries (in shadows)



 #6 - Until last drop (party's version)
  


#7 - Flower power



#8 - Revolution wave



#9 - Cross winds



#10 - Road to freedom

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Boletim Meteorológico do Mundo

Ouvimos nos últimos que a chuva assassina matou centenas.
A natureza não é, por natureza, (sim, a repetição é propositada) assassina.
O que é assassino é a forma como a proclamada civilização se posiciona diante dos elementos!
Porque razão uma chuva torrencial de umas horas mata centenas no Brasil (como já matou em quase todo o lado) e uma inundação de semanas na Austrália que cobre um território equivalente a dois dos maiores países da Europa, não mata nem sequer vinte?


Imaginem porquê...


Nos próximos episódios voltaremos ao hastear da bandeira das mudanças climáticas - claro que há mudanças climáticas, é esta a natureza do planeta nos últimos milhões de anos - como a causa de todos os males.
Claro que é a civilização que provoca a (maior parte) das catástrofes, mas provavelmente não apenas (nem principalmente) porque provoca alterações do clima, mas porque se intromete no curso normal das suas mudanças.
Parece a mesma coisa, mas causa é diferente da consequência e nós humanos gostamos mais de nos julgarmos importantes (uma espécie de Deuses terrenos do Planeta) que simplesmente imprudentes ( e todos os adjectivos associados)- que é o que somos quase sempre
Abomino a contabilidade macabra, mas a imprudência tem responsáveis precisos, que normalmente não são as vítimas.
Detesto esta retórica dinaussáurica, mas começa a irritar-me que todos chamemos impropérios à natureza, que não faz senão aquilo que é esperado que faça: chuva, sol, vento, nevoeiro.
Só reconheço impotência absoluta sobre outros fenómenos naturais que brotam da terra.
Aí provavelmente, não nos resta alternativa senão evocar os Deuses zangados, e assumirmos que somos tão ignorantes quanto as civilizações ancestrais.
Que se salvem apenas os sacrifícios humanos!
Obviamente que não há verdades absolutas, mas à água o que é da água porque, o que a tecnologia sabe, o Homem ignora.
A imprudência e a inconsciência são característica dominante do século passado (e provavelmente dos outros) e conduziu-nos aos maiores desastres da História e perpetuou aberrações da (natureza) humana!
Está na hora de assumirmos que não controlamos os elementos e que nos devemos adaptar a eles.
A sabedoria de um futuro tecnológico começa por aceitarmos o que o mundo (a dita natureza) nos permite
Há quem diga que esta seria uma forma de estar mais feminina e que esta prepotência humana face ao incontrolável tem profundas conotações fálicas.
Se assim for, que realcemos o nosso lado feminino...ou deixemos as mulheres tratar de nós e do mundo!


Porque no meu imaginário a natureza é feminina.


Deleitem-se







quinta-feira, 22 de julho de 2010

Os retiros dos Deuses efémeros





Não é pressuposto entender, racionalizar os ambientes inevitavelmente labirínticos destes santuários da contemporaneidade, que tanto nos prendem ao óbvio como a um fio eléctrico pendurado numa tela branca alvejada por três borrões de tinta, com uma raiva ou uma paixão desesperada.
Não se entende porque nem tudo o que é arte tem de parecer sério, empolgante ou erudito; falta a tradição histórica dos verdadeiros clássicos, das verdadeiras categorias da Arte, conceitos estéticos dissecados pelo pó dos especialistas museológicos, pela eternidade fatalística com que nos habituámos a identificar \ maltratar \ adorar, tudo o que remotamente rime com ar.
Instinto e desespero, elementos e tridimensional, ícones de uma história recente, tudo é contemporâneo, tudo é parte do nosso direito (dos humanos) à criação segundo referenciais tão pessoais que se podem transformar em unipessoais, unívocos, sem público, sem nexo, incompreensíveis…
O fascínio pelo não conforme nasce do derrube sistemático das fronteiras, não, não é possível ir para além deste absurdo…já foi!
É uma desobediência bem sucedida, significado académico de iniciativa, cheio de becos obscuros e avenidas de uma urbanidade cósmica…
Mas não sei porquê, não escapo a nenhum destes templos da experimentalidade; reduzo-me à minha insignificância sensorial, rio de mim próprio e da minha ignorância, ressuscito os ícones do século 20, compro postais de Erró, pins do Che Guevara, livros de fotocolagem dos artistas checos dos anos 30 e saio temporariamente renascido das cinzas.
Até que a racional e previsível rotina do quotidiano nos destrua as defesas mais uma vez…
Esta é a única desvantagem dos fabulosos museus de Arte Contemporânea; São templos de Deuses efémeros, carecem de uma constante alimentação de fé, até que um dia se perca a noção do tempo, do analítico e das fronteiras do bom senso.
Conversão total!