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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Mauer Park a juventude inquieta









Na fronteira de Prenzlauer, o parque das ervas que crescem sem que alguém se interesse, a multidão de miúdos empesta aleatoriamente o lugar, feira da ladra no vale e um concerto de rock (concurso de karaoke?) encosta acima, miúdos num senso muito lato, os que brincam nos baloiços e o que (se percebem) estão curvados com o peso dos piercings…de tanto pensar pouco e agir ainda menos.
O entusiasmo é moderado, pelo rock e (provavelmente) pela companhia, porque o sonambulismo alcoólico já predomina na tarde (meia tarde) de Domingo, neste espaço que alguém se esqueceu dele – por ser Mauer ou por ser parque? –
E a descida ao vale é um inferno de quinquilharias sem arranjo – provavelmente o quintal de trás de todos os habitantes de Berlim - mais uma das no man land que pululam entre o centro artificial de nenhuma das antigas cidades.
Sacudido o pó deste encardido baldio de recreação gratuita, procuramos afincadamente descobrir as diferenças entre os artefactos de penduro de origem leste e oeste – uma distracção tão esotérica quanto o local e os seus temporários habitantes – mas não conseguimos.
Em dia de festa semanal, a geração do piercing está totalmente integrada na grande pátria Alemã – mesmo que contra a vontade desta última.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Imagine - Um momento de história






Imagine there's no heaven,
It's easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today...
Imagine there's no countries,
It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace...
Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of men,
imagine all the people
Sharing all the world...
You may say I'm a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one

Há momentos em que o simbólico é capaz de alimentar uma ambição qualquer (que ela seja)!
Central Park numa manhã de Primavera quente ou Lisboa num princípio de tarde instável de Inverno, o mesmo sentimento da capacidade de participar no grande evento, chamado sonho.
O mesmo som de serenidade e de paz interior, reconhecimento por fazer parte de um silencioso momento de triunfo efémero e circunstancial, apenas por poder exercer todos os sentidos no grande mistério da vida ( inspiração do Rei Leão) impossível de destruir pelos ruídos da urbanidade.
Hoje descobri que o século XXI reconstruiu a fábula de La Fontaine, e transformou a cigarra num elemento essencial ao funcionamento do Universo, porque é inspiradora.
O livro da escola da minha filha ensinou-me que o século XXI cultiva a diferença.
E eu fico feliz pelo século XXI
Sim, eu sei que a genialidade é 90% (era mesmo 90?) transpiração...Einstein dixit!
Na tela da escura sala de cinema, uma jovem entra na água agitada do Atlântico com uma longa prancha de surf debaixo do braço, fato preto que lhe realçava as formas e uma legenda "um dia vais entrar às 9 e sair às 5. Sê diferente!
Sim, eu sei que a publicidade é enganadora, mas...
O Universo precisa de vontade...Imagine
Imaginem que o Mundo é apenas vontade...( não, não vale traduzir porque o simbolismo vive-se no original) e este memorial teria de ser redondo, de um simbolismo igual a ele (ao Mundo)!
Tudo isto porque entrei no Centro Comercial e dei de caras com uma imagem igual a esta (sim porque esta é minha - Maio 2008, Central Park, alguma qualquer hora da manhã com todos os sentidos despertos), um memorial de inspiração suprema.
Sim, eu sei que apelo ao consumismo é manhoso!

By the way...

Já experimentaram abraçar o Perito Moreno ao som do Imagine?

Is a lifetime experience! E é de experiências únicas que se alimenta a vontade, sabendo saborear o nosso estado de permanente transitoriedade, capazes de nos inspirarmos com uma natureza que resiste às profecias de catástrofe iminente, saber que somos tanto melhores quanto mais nos desvalorizarmos perante o talento de sobrevivente do planeta, e a relatividade de tudo o que achamos que somos capazes.
Aprendendo com os glaciares...por mais que derretam nas pontas, não deixamos nunca de crescer na origem, para lá das montanhas, mas reconhecendo que nunca duraremos dois mil anos até nos derretermos na água gelada.
Cada pedaço que se (te) despenha estrondosamente é assim uma lição de História

Que 2011 seja um ano de muitas descobertas!