Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Mercantil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mercantil. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 20 de maio de 2014

MAS – Museum Aan de Stroom





(Um edifício impressionante com um museu, entre outras coisas)

Retrata a longa História do comércio e do intercâmbio cultural entre a cidade e o mundo, parecendo esquecer que a interação se faz de épocas - e quinhentos anos é muito tempo - são muitas histórias, que apenas respeitam um tema, entendido de forma muito lata / muito larga.
MAS conta novas histórias baseadas na evidência dessas trocas mútuas.
História sobre a cidade, o rio e o porto.
Sobre a diversidade do mundo, em objetos que aqui vieram parar
Sobre os signos das diversas idades do Ouro de Antuérpia (com o mundo)
É de facto Antuérpia, é certamente global e enriquece a perspetiva com que ficamos da cidade atual: mercantil e experimental.
É passado, é presente, perto e longe com referências inequívocas aos sonhos e pesadelos da cultura Ocidental.
MAS é um edifício da nova vanguarda flamenga no sentido lato (o arquiteto é holandês), que conta histórias nunca contadas sob uma perspetiva mercantilista do mundo, com a qual interagimos por força da gestão criativa do caos.
E os trinta e três quilômetros de porto, que se avistam do terraço merecem este monumento, exatamente na primeira doca conhecida deste gigante dos mares.
Construída (imaginem por quem) por necessidades práticas, bélicas e mercantis.
Napoleão, claro!
Ah, é verdade, os temas (e andares) da Exposição:
1.       Display of Power
2.       Metrópolis
3.       World Port
4.       Life and Death of Men and Gods



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Mercantil





Há cidades que não se podem dar ao luxo de viver do passado.
Apesar de o terem tido, a História delapidou-lhes o património, os vestígios.
Sucessivamente, século após século
Antuérpia é um exemplo que demonstra que o sucesso pode ser destrutivo.
Ou que a centralidade e a importância estratégica, nos momentos mais conturbados da História, apaga os símbolos do poder passado.
E derrotado!
E a cronologia histórica é construída através da destruição dos modelos passados.
Destruição criativa que possibilitou a ascensão da renascença à custa do modo de vida medieval.
Mas a História de Antuérpia não acaba no seu início.
Depois da ocupação espanhola, vem a anexação ao império austríaco, os franceses outra vez, que nunca desistiram da Flandres, até que os Holandeses os conduziram até à criação da Nação Belga.
Foi necessário chegarmos ao século XX para que chegassem os vizinhos, os descendentes do Sacro Império Romano-Germânico. E as muito destrutivas guerras do século vinte que fustigaram a cidade da forma mais cruel: à bomba, sem que nada dali pudesse nascer.
Ameaças concretizadas pelos poderosos e sacrossantos vizinhos
E os vestígios das reconstruções apressadas, misturam-se na arquitetura e nas silhuetas dos transeuntes.
Antuérpia, o porto assolado pelo vento do mar do norte.
Tão perto, tão longe.
Antuérpia, a comerciante entre avenidas rasgadas pelo período pós guerra e as montras de visual ocidental.
Promessa de cidade da moda e do design.
E experimental!
Laivos de Rubens entre praças e catedrais!
Antuérpia Sul, a burguesa réplica de Paris dos cafés, dos palácios e das galerias.
Antuérpia, o bairro de judeus ortodoxos que se passeiam junto às montras brilhantes pintadas de diamantes, dentro de bunkers de cimento e construção moderna.
Sem graça.
Antuérpia, a Arte Nova, revelada em toda a sua extensão na Gare que afirma a centralidade belga nas rotas do presente.
Fronteira do século e afirmação da difícil independência belga
Ainda hoje!
Fronteira entre os comerciantes judeus ortodoxos e as novas geografias.
Chinatown!
É na praça da estação que todos se encontram, entre elétricos que circulam em carrossel antes de fugirem em destinos opostos.
Povos que não se conhecem, de tão diferentes que são as suas fisionomias, roupas e formas de andar, de saltar para os elétricos, de rondar pelas esquinas e de espiar os arcos que flanqueiam a entrada nos ghettos dos outros
Antuérpia esforça-se por construir o seu presente com base na sua universalidade histórica, renascida das cinzas.
Não é portanto uma cidade museu, é uma comunidade de experiências.
Portanto alimenta-se de incoerência, vive num permanente estaleiro e procura a harmonia através do caos.
E as cidades experiência visitam-se de forma diferente
Pensava exatamente nisso, enquanto sorria para a adorável empregada de bar e espreitava para rua, protegido pelas vidraças do bar do hotel, espiando os transeuntes e vazando baldes de cerveja belga!