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domingo, 19 de janeiro de 2025

Flashback #1 - Flanneur

 


A crise energética chegou a França que não depende do gás russo, mas tem, aparentemente, dificuldades em equilibrar as cargas na rede e a cidade está fria e escura, apesar de estarmos no Natal. 
A manhã cedo da cidade das passagens é um território idoso, onde o bom gosto se refugia do décimo bairro, das saídas de metro encardidas, das ruas molhadas que se lavam das toneladas de lixo que a urbe lhe entrega todas as noites, porque há vida própria nos bairros centrais de Paris, afirmação confirmada pelas lojas de quinquilharias com utilidades penduradas nas portas, os restaurantes étnicos que engolem os cafés de Paris e a juventude, que domina a calçada, na exuberância das cores, dos movimentos, das roupas, da musica que juramos que ouvem por debaixo dos auscultadores, dos penteados e das tatuagens.
Quando entramos nestes túneis intemporais do bom gosto, os sons tornam-se difusos e parece que a cidade ficou lá fora e aqui dentro guardam-se as memórias da Pátria, as heranças culturais da grande França ultramarina, os refúgios de moda vintage e nós, os idosos do regime, flutuamos sobre as nossas memórias e sobre a História com a qual ainda estamos familiarizados, os velhos cá dentro, os novos lá fora e, quando um túnel termina,  interrompe-se o silêncio e entra uma súbita corrente de  ar  de trânsito, de multidões agitadas e, depois, novamente o silêncio redentor.
 As passagens de Paris são o purgatório entre a fraternidade da república, a norte, e as indulgências da monarquia ao longo das margens do rio e, mesmo quando a cidade está fria e escura e as passagens são também corredores de vento, as lojas das galerias congelam o tempo e preservam as memórias da cidade que já não existe, um livro de lombada dura e letras douradas, o cheiro a café quente servido sob candelabros de cristal e galerias de homens famosos emoldurados em florestas de madeiras nobres.
Ao fim de uma manhã inteira dentro das passagens de Paris, assomamos com receio à superfície, sentimo-nos encadeados pela agressividade do Sol de Inverno, como se o holocausto se abeirasse de nós.
Nós, e os novos velhos nostálgicos da civilização ocidental a quem até não nos desagradaria que a cidade pudesse ter ficado no passado e que a crise do gás não tivesse chegado este Inverno.



sábado, 2 de maio de 2015

Dreaming and freedom of spirit




Havia uma fila meio louca, numa galeria meio louca, uma irreverência permitida pelo (porventura) mais snobe bairro da cidade.
Sublime, o ambiente de instalação, mal nos intrometemos na primeira sala.
Como se tivéssemos subitamente atravessado o canal da mancha pelas paredes do túnel, uma breve visita ao castelo de Hogwarts e um encontro imediato com o Conde Valdemort.
Senti saudades do espírito do Potter!


HERMÈS WANDERLAND.
9 April - 2 May 2015
(in Saatchi Gallery)


“Flânerie, that wonderfully liberating art of urban wandering, is second nature to Hermès, one could even say our most profound nature”, recounts Pierre-Alexis Dumas, the house’s Artistic Director and sixth generation member, evoking the 2015 Hermès theme. 


Quintessentially Parisian, flânerie is about revelling in the unexpected. “The journey through Wanderland draws its coherence from two intrinsic elements of la flânerie: dreaming and freedom of spirit”, explains Bruno Gaudichon, curator of La Piscine-Musée d'Art et d'Industrie in Roubaix, who was commissioned to create the exhibition. 


Set designer Hubert le Gall plunges visitors, the flâneurs themselves, into a dream world of joy and fantasy, with a Paris-inspired landscape as its backdrop. The eleven rooms present a series of installations in various media, created by a diverse selection of artists. From the Parisian square, to the covered passage, or a cafe of forgotten objects this veritable extended cabinet of curiosities will delight and intrigue visitors, inviting each of them to open their eyes, free their minds and be enveloped by the colour, sounds and images that surround them. 



Objects on display have been carefully and lovingly gathered from the Hermès archive, the museum collection of Emile Hermès at 24 rue du Faubourg Saint-Honoré in Paris and Hermès’ contemporary collections: a bike, a bag, a pair of boots, a travel writing case, a card deck, a watch from the house’s collection… The spirit of the 'Flâneur' is at the heart of Hermès' creations and its inspiration.