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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Monges do Silêncio

 

Quando o camião começou a trepar montes acima nós, cá atrás na caixa aberta, escorregávamos nos fardos de palha que nos picavam as extremidades e cediam ao peso da meia idade, e o camião roncava, resoluto, pelo caminho de terra que espreitava o precipício, curvas que se sobrepunham porque o monte era alto e distante e o P garantia que, desde que tinham reformado o camião soviético, [agora substituído por uma Mercedes] a viagem parecia outra, mais suave e mais determinada " para aí metade do tempo".
E, no monte, habitavam as ruínas da aldeia da família de Petro, o nosso anfitrião, ele e Maryna, os donos da guesthouse de Vardzia, ela cozinheira e tudo o mais a que o alojamento obriga, ele uma mais pálida encarnação mitológica de um mestre de cerimónias com um técnico de bricolage, sem fato próprio nem cara alegre [quanto muito, com subtis sorrisos, às vezes]
No cimo do monte vivia um verde intenso de uma primavera tardia que avançava, a cada estação, sobre as ruínas das casas de pedra que resistiam penosamente, à distância do vale e da civilização e aos invernos que vestiam a paisagem de branco.
E o Petro pareceu que se comovia quando nos conduzia pelas ortigas fora até à casa da sua mãe, e nós entrámos, por educação e com receio, sobre um piso de terra batida que nos humedecia os pés, encolhidos debaixo de um telhado arruinado de barrotes de madeira, vergados pelo peso das telhas e da terra que costumava servir de isolamento quando as temperaturas desciam a menos vinte.
Só ele conseguia discernir a cozinha e o fogão de lenha, o quarto em que dormia e a sala em que jantava, mas nós encorajávamos o seu regresso ao passado com atenção e com perguntas e um de nós notava que Petro se tornara quase sorridente e até ousado, e partilhava connosco o desejo de reconstruir a casa que a mãe tinha abandonado após a ultima grande guerra.
Enquanto na capital procuravam renascer os movimentos nacionalistas, duramente reprimidos pelo pior dos ursos do norte, em Vardzia as populações aproximavam-se do mundo para sobreviver ao esquecimento. 
Mas no alto dos montes, a igreja está em pé, tal como a fé em São Jorge, um interior de ícones, símbolos e velas acesas, o que prova que todos os dias alguém sobe os montes, a mais de meia horas de curvas a subir, para manter a fé na lembrança e alguém nos lembrou que o santo aqui se venera duas vezes por ano, como em qualquer outro lado do mundo.



Enquanto descíamos a pé e circundávamos um castelo em ruinas, uma prova de que há muito tempo que o vale é refém das ambições expansionistas de exércitos externos [ e a lista é longa desde os bizantinos, persas, árabes, mongóis, outra vez persas, otomanos e russos, para nomear apenas os mais notáveis, entendendo notáveis apenas como os mais reconhecidos, sem juízos de valor] e, enquanto nos procurávamos equilibrar entre pedras rolantes e curvas traiçoeiras, dividíamos a reduzida atenção sobrante entre as memórias do Petro e a natureza distintiva dos povos do Cáucaso de hoje.
É que, por aqui,  quando acreditamos ter encontrado um mínimo múltiplo comum com as nossas realidades conhecidas, o quotidiano destrói-nos as convicções prévias porque quanto mais nos aproximamos da Rússia mais difícil se torna perceber a complexa teia de amizades, cumplicidades e traições que povoam os territórios do antigo império, por aqui a saudade e o ódio servem-se em doses iguais, parecem as duas faces de uma só moeda como se fossem sentimentos gémeos à beira de um fratricídio anunciado [ainda sem criminoso definido]
Esta imagem apareceu tão nítida na minha nuvem pessoal que escorreguei numa pedra solta e quase mergulhei no vazio em direção ao rio.
Recompus-me, mas a descida parecia infinita e o rio ainda estava longe, revolto, mas longe.
Continuam a falar entre eles em russo, a maioria do povo não estereotipado não (se) reconhece (n)o inglês como o esperanto do mundo civilizado, professam uma fé católica [apostólica na Arménia e ortodoxa na Geórgia] que foi o cimento da identidade própria dos povos do Cáucaso, primeiro contra o predomínio muçulmano do sul [e do este e do oeste] e mais tarde contra o grande urso ateu do norte mas que hoje parece condescendente com o grande leste autocrata de uma fé que se professa de baioneta em punho.
Não me interpretem mal, começo a suar mas não é febre, porque a brisa fresca só chegaria mais tarde, quando o caminho se aproxima do rio.
Há uma coincidência de feitios no mau álcool de vodka ou vinho artesanais ou no temperamento colérico sexista e violento, mas as cerimónias religiosas dos povos do Cáucaso são intensas, familiares e [diria mesmo] plenas de sinais identitários distintos dos rituais eslavos [no interior das igrejas e dos mosteiros sentimos um povo em paz interior]
E, sem resposta definitiva, atingimos a brisa do rio.
A todo o momento uma nova realidade parece querer destruir todas as teorias de generalização das origens e do presente do Cáucaso 
Mas o carácter distinto dos alfabetos do Cáucaso cristão, acalma a nossa ansiedade e quando, a pé e ao longo do rio, chegamos à cidade escavada na pedra, entendemos finalmente que existe uma herança Geórgia, independente da vontade dos seus múltiplos invasores.
Construída no século doze, durante o reinado Rei George, foi um próspero centro cultural, político e religioso. O complexo inclui uma rede de cavernas, tuneis subterrâneos e camaras esculpidas na face da montanha, e foi construída como um refúgio para os georgianos dos invasores mongóis, tendo sido habitadas até ao seculo catorze.
Chegados a igreja da Dormicão de Maria, esperam-nos os monges em voto de silêncio e caras fechadas e as pinturas que retratam, não apenas cenas religiosas, mas também  o rei George III e a sua filha Tamara, responsáveis pela edificação do mosteiro.
No seculo doze, a era dourada da monarquia medieval georgiana, em parte governada por uma mulher.
E ainda hoje, são as mulheres que sorriem mais e é nos seus olhos que vemos o espelho da identidade do Cáucaso, cujo brilho nem o banho na bacia dos detritos da fabrica de CO2 apagou [ ao parece uma identidade química que não costuma matar ninguém]
No fim da noite o anfitrião, entre brindes cada vez intensos e indecifráveis, cantava uma balada de sons persas, com a mesma convicção com que Anne e a sua filha cantaram para nós, uns dias antes, a canção nacional Arménia de sons celtas.






quinta-feira, 9 de julho de 2026

O sonho Arménio

 


Os habitantes da aldeia mais ou menos imaginária de Narite, davam especial importância aos sonhos. Contavam-nos uns aos outros, tentando adivinhar o sentido secreto que neles se escondia.
Averiguavam obrigatoriamente o dia da semana; se fosse Domingo, não havia razões para preocupações porque o sonho domingueiro é oco, não promete nem vaticina nada. Mas é preciso guardar na memória tudo o que vimos em sonho na noite de terça para quarta-feira porque, precisamente na quarta, entre o primeiro e segundo canto do galo, os sonhos trazem presságios.
Nós acordámos na manhã de terça-feira com os pés no lago Sevan, aliviados porque na próxima noite já teremos passado e fronteira para a Geórgia e assim, longe da aldeia da Arménia, os sonhos já não trazem presságios, culpa dos galos que não cantam ou porque, longe daqui, não conseguimos lembrar-nos dos sonhos, sequer.
Nem dos sonhos nem das lendas.
Segundo a lenda, no lugar do lago Sevan, havia uma fonte no pomar onde os habitantes locais iam buscar água e sempre lhes era recomendado que fechassem a torneira da fonte.
Um dia, uma jovem distraiu-se e deixou a torneira aberta, inundou o pomar transformando-o no lago. O ancião da aldeia ficou irado e transformou-a numa pedra que agora está plantada no meio do lago Sevan.
Afinal ainda há lendas de que nos vamos lembrar.
Pelo monte acima e com o lago nas costas, a maioria das casas de Dilijan são pintadas de azul-claro e, como são de madeira, não assustam a floresta e Jan significa querido e esta estância termal que curou o politburo durante décadas é, afinal de contas, o querido Dili.
Nas florestas de Dilijan, os antigos mosteiros entregam-se, em ruínas, à natureza que conquista o seu espaço natural, reduzindo a fé cristã à longínqua memória peregrina, mas no Mosteiro de  São Mateus, afinal há vestígios recentes de uma fé incontida nas sombras do mosteiro escondido na floresta, e nós arrastamo-nos pela lama acima, porque a chuva da noite anterior tinha tornado escorregadios os caminhos da crença.


Agora que seguíamos na estrada para a fronteira da Geórgia e a altitude transformava a paisagem em estepe fria, despida e desabitada voltava e lembrar-me das palavras, quase despeitadas, do camarada exilado Vassili "a primeira coisa que vi ao chegar foi pedra" não, não é verdade, meu caro Vassili, e "quando me vim embora trouxe comigo a imagem da pedra" estavas definitivamente deprimido Vassili porque "então parece-me que é o azul do Sevan, os pomares de pessegueiros e as vinhas do vale Ararat, para além da pedra que exprimem o carácter e a alma da terra Arménia porque apenas alguns traços exprimem com maior plenitude o carácter e a alma de um povo " [reinventei- me a mim e à Arménia na negação das palavras do escritor].
E, a cerca de dois mil metros de altura, a Arménia abraça a Geórgia numa fronteira tranquila, não fosse a Geórgia a retaguarda das inquietações arménias e, subitamente, a chuva intensa parou.
Há fronteiras que fervem de agitação porque são o centro de um mundo inteiro que anseia passar mas em Akhalkalaki, uns quilômetros no interior da Geórgia, a casa de câmbios reage com indolência à nossa chegada, um guichet para o interior da loja e outro para a rua, mas não há forasteiros na rua nem uma vontade dos locais em transacionar a moeda local.
Passadas as nossas armas e bagagens, balbuciamos "Georgia on my mind" e o arco iris nasceu na nossa retaguarda, com uma nostalgia muito própria de um povo de exílio e de uma  diáspora imensa.
E lembrei-me do velho Aleksei, um homem simples que vivia desterrado nas aldeias do leste, nas montanhas e no inverno nevado que há décadas tinha saltado das páginas do livro de história para a vida real e falava, com amargura, das pessoas não seguirem a lei principal da vida, a compaixão
E nem os brindes Georgios, uma cascata de vinho e vodka na noite de Vardzia, nos fez esquecer a essência do sofrimento da Arménia, em hora de despedida.



Caravensarai de Selin

 


De manhã, a fronteira e os seus fantasmas foram deixados para trás pela nossa sensibilidade cristã, mas a nossa confiança nos guardiões da arca de Noé parecia-nos ilimitada, agora que tínhamos partilhado com os soldados arménios da fronteira um guisado de carne e um copo de vodka no piquenique junto às cataratas Shaki.
Na vontade de cruzarem as suas próprias fronteiras, transportavam uma enternecedora timidez, carregada de olhares furtivos, sempre a aguardar a primeira mão, para o primeiro brinde, uma alusão verdadeira ao espírito de fraternidade entre os homens.
E depois chamaram-me de arménio enquanto brindavam à paz e à amizade entre os povos e o rio revolto (no Cáucaso todos os rios são revoltos) amortecia o som dos copos a chocar no ar enquanto, no cimo da escadaria, o veterano de guerra e o seu cão, elogiava o meu Panamá Afegão, eu tenho um igual , e o seu cão preto, educado e imperial, abanava a cauda de focinho espetado sob os restos dos piqueniques, do nosso ou dos arménios, conforme a direção dos fumos e dos aromas.
Memórias que já se transformaram em lendas.
Enquanto deixávamos a aldeia de David Tek, recordávamos a família de Anne e as palavras de Narine Abgaryan, uma escritora Arménia no seu livro "E três maçãs caíram do céu” que nos explicava que cada linhagem da sua aldeia imaginaria tinha a sua alcunha. Na maioria dos casos era cómica e engraçada, às vezes irónica, mas havia, embora raramente, as muito ofensivas. A alcunha da linhagem estava em conformidade com o comportamento da pessoa, boa ou indecente, e depois o apelido era herdado pelos descendentes.
Anne e Armen teriam certamente direito a uma alcunha muito lisonjeira, demasiado lisonjeira para a minha fraca memória.
Saltamos, alternadamente, para o desfiladeiro do Diabo e depois para o grande Mirador, e assim se fez a nossa despedida da província de Suyin sempre  a subir, na direção dos 2 500 metros e do Caravansarai de Selin , um exemplar ainda conservado de estalagem do período tardio da rota da seda, mesmo que, em pleno seculo treze de invasões mongóis, pareça pouco credível que por ali tenham passado caravanas vindas do oriente.
Também em memória da rota da seda, proliferam as lendas pouco verosímeis que atravessam os lugares mais remotos da Ásia Central.
A chuva gelada de junho tardio, empurrou o nosso piquenique para as abóbodas geladas da estalagem medieval e, por momentos [breves de uma fraqueza súbita] desejamos voltar ao século doze porque, segundo K, haveria fogueiras ao longo do centro da galeria e, hoje só havia escuridão e frio eternos.


Lá fora, assobiava o vento que não era, contudo, suficiente para apagar os vapores de álcool dos seres de um terrestre diferente, os descendentes do abominável Homem das neves (eternas).
O mau álcool não é apenas uma lenda dos homens do Cáucaso, parece ser uma herança viva do seu passado.
A Clarence, uma motard francesa de porte impressionante e pouco impressionada com a rudeza efusiva dos homens locais , retida acidentalmente no alto da montanha por um equivoco linguístico, aproveitou a nossa chegada para se libertar dos vapores de uma hospitalidade insistente, homens que bebem álcool artesanal sobre o capot de um emplastro de quadro rodas, saltar para cima da mota e deixar o lenço para trás, como se quisesse assegurar-se de que eles não lhe seguiriam o rasto nem a sua liberdade.
A Clarence, desconfia deles, mas sabe reconhecer quem lhe fala em francês (eu tentava explicar a K o nome dela, e ela ouviu)
Eles asseguram a K que não tinham a certeza se a Clarence era uma mulher e não lhes passava pela cabeça dar-lhes boleia para o lago Sevan.
E falaram em arménio, sem risco de se perderem na tradução.
Mas a francesa já não nos ouvia, é para isso que as motos servem.
E, desfeitos os equívocos e os restos da merenda, planamos sobre o lago Sevan, ao mesmo ritmo da tempestade e do céu negro de trovoada e de pressentimentos que se escondiam atrás das montanhas.
Deixamos para trás as neves eternas, guardámos o lenço da Clarence e reencontramos a alma antiga dos primórdios do cristianismo na Arménia nas cruzes de pedra celtas (outra vez uma herança das cumplicidades cruzadas) do cemitério aos pés do lago onde, nos túmulos do presente, a fotografia do morto e o espaço vazio com o nome da mulher viva nos asseguravam que, na Arménia, o casamento é a para toda a vida e para a eternidade.
À noite, no restaurante sobre o lago, comíamos truta grelhada enquanto escutávamos a voz do arménio Demis Russos, cercados de madeiras pesadas da velha ordem, de um serviço muito demorado e de uma grande indiferença dos locais.
Enquanto suspirávamos pelo vinho branco de casta superior que, já hoje, tínhamos provado na quinta dos queijos salgados, à beira da água doce.
Mas, a dois mil metros de altitude, jaz o mar da Arménia 



terça-feira, 7 de julho de 2026

Terras de Fronteira


 Davit Tek foi um herói Arménio do seculo dezoito, um combatente que organizou a resistência contra os invasores persas em diversas fortificações da Arménia oriental.
Mas, tal como na história da sua nação, os heróis da Arménia não são  admirados pelas suas vitorias mas principalmente pela sua perseverança e valentia. 
David Tek é uma aldeia do sul da Arménia, uma península agora incrustada nas novas fronteiras do Azerbaijão, onde outrora viviam mais de cem mil arménios no enclave de Nagorno Karabah.
Em Davit Tek não vivem mais do que setecentos habitantes, porque muitos partiram com a tomada do enclave arménio pelas tropas azeris que lhes cortou a estrada para Goris e aumentou o tempo de viagem para o norte e para a capital em mais de duas horas.
" As ervas cresceram muito nos últimos anos, porque já não há animais a pastar nas encostas" exclama Davit, o filho agricultor da família da Anne, encolhendo os ombros e levantando os braços para o céu, porque ele não quer partir, pelos seus animais e pelo seu pomar.
Em Davit Bek, nasceu Aram Manukyan um ilustre arménio que, durante o extermínio de 1915 ajudou milhares de refugiados e recolheu órfãos vindos de todas as geografias do exilio.
Hoje, na aldeia de Davit Bek, cercada por fronteiras hostis, restam as casernas dos soldados da fronteira, os novos bunkers em construção nos topos dos montes que se cruzam no olhar porque só para ocidente existem terras da mãe Arménia, a poluição do lago com minerais das minas e o contraste entre o verde espalhado pela natureza e o lixo empilhado  nos cursos de água por uma população em suspenso.
A espera da paz ou da guerra, certamente que nem eles sabem bem.
Em Kapan, a capital da província, há uma confrontação de bandeiras na encosta e apenas a bandeira russa os abandonou, uma mediação de conflitos tão venenosa quanto a mineração selvagem de cobre, alumínio e tungsténio a que destinaram a cidade nas últimas décadas.




Em Kapan, sente-se a efemeridade das fronteiras e percebe-se a volatilidade da alma e da independência Arménia, diante do que já perderam ou do que podem ainda perder, especialmente com a ambição azeri (de um novo corredor que pretende ligar o Azerbaijão ao seu enclave junto a fronteira da Turquia) que pode isolar os arménios do seu único vizinho cooperante, o Irão a sul, imagine-se!
Porque a pressão do espaço não protege o tempo da Arménia 
Mas na missa de domingo em Kapan, no dia de eleições em que se espera que ganhe o mesmo, aprendemos que um piquenique com os crentes é apenas um pretexto para juntar as pessoas e conversar e aprendemos também que, na Arménia, os padres casam-se às claras.
Aqui o tempo demora tempo, o tempo que demora a contornar as fronteiras desenhadas pelo poder das armas e das alianças, mas as gentes procuram um novo normal apesar desta Arménia da periferia ser um país de ruínas eternas que a pressa do urgente não permitiu ainda reconstruir.
Mas as empregadas do Panorama, um restaurante muito moderno à procura da reputação perdida, serviam à mesa de luvas brancas e a música nacional Arménia revelava influências celtas indiscutíveis, num surpreendente renascimento do espírito cruzado.
A cidade, sentida no seu amago, agarra-se às indulgências de um domingo nos parques da cidade, gelados e animação juvenil. indiferentes as ruínas da era industrial que os rodeiam enquanto a cidade, vista de cima, esgota-se na tranquilidade de uma tarde de verão e nenhum dos seus problemas nos pareceu, a esta distancia, irreversível.
E no final da noite, apesar da visita dos soldados à casa da Anne, intrigados pela nossa presença nesta aldeia ameaçada pela geopolítica, não houve mais surpresas e o partido do pequeno homem engravatado que faz corações com as mãos, ganhou outra vez